Cuba destaca progressos de aproximação, mas descarta fazer concessões aos EUA

Lima, 14 abr (EFE).- O ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, destacou neste sábado em Lima, durante a 8ª Cúpula das Américas, os progressos na relação com os Estados Unidos durante a aproximação iniciada em 2014, mas advertiu que a ilha não cederá perante esse país "nem um milímetro" dos seus princípios.

Rodríguez, que lidera a delegação cubana no fórum continental, ressaltou em discurso que Cuba "não aceitará ameaças nem chantagem do governo dos EUA" e, embora "não deseje o confronto", também não "negociará nada dos seus assuntos internos nem cederá um milímetro dos seus princípios".

Esta é a segunda vez que Cuba, suspensa por décadas da Organização dos Estados Americanos (OEA), participa de uma Cúpula das Américas, depois que o presidente Raúl Castro estreou na edição anterior do fórum, realizada no Panamá em 2015, poucos meses depois do anúncio do restabelecimento de relações com os EUA.

A presença em Lima de Castro, que deixa a presidência de Cuba na semana que vem após completar dois mandatos, esteve em dúvida até o último minuto, e finalmente não aconteceu, em um momento de renovada tensão na relação com os EUA, cujo presidente, Donald Trump, também não compareceu ao fórum continental.

O chanceler Rodríguez afirmou que os progressos alcançados nos últimos anos com uma relação bilateral baseada "na igualdade soberana e no respeito mútuo que agora se revertem mostraram resultados", e deixaram patente que essa relação "é possível e benéfica para ambos países e para todos no hemisfério".

No entanto, denunciou que após a chegada à Casa Branca de Trump, contrário à aproximação com a ilha iniciada durante o governo de Barack Obama, se endureceu o embargo dos EUA, a "política genocida, obsoleta e fracassada" sobre o país caribenho que "provoca privações aos cubanos e viola os direitos humanos".

Sobre o próximo dia 19 de abril, quando se constituirá a Assembleia Nacional que elegerá o próximo presidente da ilha - que pela primeira vez em seis décadas não levará o sobrenome Castro -, lembrou que os cubanos também lembrarão "firmes, seguros e otimistas" a fracassada invasão da Baía de Porcos impulsionada pelos EUA nesse mesmo dia de 1961.

Além disso, o chefe da diplomacia cubana deplorou a exclusão do presidente venezuelano, Nicolas Maduro, da cúpula de Lima, o que qualificou de "afronta a todos os povos da América e retrocesso histórico" imposto pelos EUA.

Nesse sentido, denunciou que a OEA e seu secretário-geral, Luis Almagro, são "meros instrumentos dos EUA" com o objetivo de "restabelecer a dominação imperialista, destruir as soberanias nacionais com intervenções não convencionais, derrubar governos e restaurar em escala continental o neoliberalismo selvagem".

Para isso "se usa a luta contra a corrupção como arma política", completou o chanceler, que em seguida exigiu a libertação do ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva, preso no sábado passado.

"Hoje existe o perigo do retorno ao uso da força, da imposição indiscriminada de medidas coercitivas unilaterais e inclusive de golpes militares sangrentos", alertou, lamentando que a região "continua sendo saqueada, intervinda e vilipendiada pelo imperialismo americano".

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