Dezenas de milhares de húngaros protestam em Budapeste contra Orbán

Budapeste, 14 abr (EFE).- Dezenas de milhares de húngaros protestaram neste sábado em Budapeste contra o que consideram um sistema eleitoral injusto, que deu na semana passada uma vitória arrasadora ao primeiro-ministro Viktor Orbán, assim como contra suas políticas de ódio contra os imigrantes e por meios de comunicação imparciais.

"Somos a maioria" foi o lema da manifestação convocada no Facebook por representantes da sociedade civil, mas à qual se uniram partidos da oposição e que, segundo os organizadores, reuniu mais de 100.000 pessoas.

A marcha, uma das maiores contra Orbán desde que chegou ao poder em 2010, partiu da Ópera de Budapeste, para chegar à praça Kossuth, onde se encontra o edifício do parlamento.

Orban conquistou seu terceiro mandato consecutivo por maioria absoluta no domingo passado depois de uma campanha protagonizada pelo suposto perigo que a imigração representa para a identidade húngara.

Os organizadores do protesto pediram hoje uma nova apuração dos votos, meios de comunicação livres e uma nova lei eleitoral, assim como uma cooperação mais eficiente entre os partidos de oposição contra Orbán.

"Nunca baixaremos a cabeça perante o corrupto poder do Fidesz (partido de Orbán). Não podemos e também não queremos viver sem liberdade", afirmou um dos oradores, o advogado Tamás Szendrö-Németh.

Além de Budapeste, foram organizadas manifestações paralelas em várias cidades do país, mas também em Berlim, Bruxelas, Dublin, Londres e Paris, nas quais se destacou a presença de jovens.

Enquanto o partido de Orbán obteve no domingo passado 49% dos votos, arrasando nas áreas rurais, os candidatos de centro-esquerda alcançaram dois terços dos votos em Budapeste, a capital e a maior cidade do país de 9,8 milhões de habitantes.

Os organizadores do protesto criticaram uma reforma eleitoral realizada por Orbán em 2011 e que representa de forma desproporcional áreas nas quais seu partido obtém bons resultados.

Um dos organizadores da passeata, Gergely Homonnay, garantiu nesta sexta-feira na emissora de televisão privada "HirTv" que organizarão manifestações todos os finais de semana e antecipou o início de um movimento de desobediência civil, embora por enquanto não tenham sido oferecidos mais detalhes.

A nova legislatura está prevista para começar nos primeiros dias de maio e, como primeira medida, Orbán prometeu a aprovação de novas restrições ao trabalho das ONGs no país centro-europeu.

As primeiras declarações dos líderes do Fidesz antecipam que o novo governo de Orbán aprofundará nas suas políticas contra a imigração e contra o magnata americano de origem húngara George Soros, inimigo político do primeiro-ministro.

Soros financiou organizações e projetos que fomentam os direitos humanos, a separação de poderes e a transparência na Hungria.

Nesta semana dois meios de comunicação opositores, o jornal "Magyar Nemzet" e a emissora de rádio "Lanchíd", anunciaram seu fechamento por problemas econômicos, reduzindo-se o espaço das vozes dissidentes.

Por outra parte, uma revista próxima ao governo publicou uma lista com mais de 2.000 pessoas supostamente suspeitas de trabalhar para "derrubar" Orbán e que incluía vários advogados, jornalistas e ativistas pelos direitos humanos.

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