ONU pede moderação diante das atuais "circunstâncias perigosas"

Nações Unidas, 14 abr (EFE).- O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu neste sábado, aos países-membros da organização, que mostrem moderação "nestas circunstâncias perigosas" e respeitem o direito internacional.

Guterres reagiu nesses termos ao ataque lançado nas últimas horas pelos Estados Unidos, Reino Unido e França contra alvos na Síria, como represália pelo suposto uso de armas químicas na cidade de Duma há uma semana.

"Peço a todos os estados membros que mostrem moderação nestas circunstâncias perigosas e evitem qualquer possível escalada da situação e o sofrimento do povo sírio", disse Guterres, através de um comunicado.

Ele também lembrou que o Conselho de Segurança tem como "principal responsabilidade a manutenção da paz e a segurança", e pede que seus membros se unam "e assumam essa responsabilidade".

O conselho se reuniu esta semana em quatro ocasiões diferentes para analisar o caso sírio, mas as sessões foram encerradas sem acordos.

Por outro lado, nos debates ficaram claras as profundas divisões que enfrentam Estados Unidos e Rússia sobre a situação na Síria, a ponto de, ontem, Guterres chegar a dizer que "a Guerra Fria voltou".

No comunicado, secretário-geral da ONU insiste em que o uso de armas químicas "é repugnante" e o sofrimento que provoca "é horrível".

"Eu expressei repetidamente minha profunda decepção pelo fato de que o Conselho de Segurança tenha fracassado para criar um mecanismo efetivo que estabeleça responsabilidades pelo uso de armas químicas na Síria", afirmou.

"Peço ao Conselho de Segurança que assuma suas responsabilidades e preencha essa lacuna", completou Guterres.

Nas horas imediatas do ataque contra posições do regime de Bashar al-Assad, nenhuma reunião do Conselho de Segurança foi convocada, mas não está descartada de que possa ocorrer ao longo deste fim de semana.

Guterres tinha programado viajar hoje para Riad, com o objetivo de participar da cúpula da Liga Árabe, entre outras atividades, mas seus porta-vozes anunciaram que o secretário-geral decidiu atrasar sua saída para a Arábia Saudita.

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