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Reino Unido diz que ataque na Síria foi "limitado, direcionado e eficaz"

14/04/2018 06h55

Londres, 14 abr (EFE).- A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, disse neste sábado que a ofensiva conjunta adotada de madrugada (hora local) na Síria foi um ataque "limitado, direcionado e eficaz" para degradar a capacidade do regime de Bashar al-Assad de desenvolver e empregar armas químicas.

Em entrevista coletiva realizada hoje em sua residência e gabinete oficial de Downing Street, a líder conservadora disse que, com base em todas as evidências reunidas, seu governo está "certo" de que foram as forças sírias as "responsáveis" de ter utilizado arma química há uma semana na cidade de Duma.

"Nenhum outro grupo poderia ter feito este ataque", afirmou a primeira-ministra britânica.

Neste sentido, revelou que entre as evidências coletadas foi verificado o uso de bombas de barril e a presença de um helicóptero pertencente ao regime sobrevoando Duma no último dia 7.

Em relação a esse ponto, May enfatizou que nenhuma força da oposição síria utiliza helicópteros ou esse tipo de explosivos e que o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) não tem presença nessa região.

Em seu discurso, ela citou outros ataques similares realizados pelo regime sírio contra sua própria população, como os cometidos em junho de 2017, quando centenas de pessoas morreram e mais de 500 ficaram gravemente feridas.

Segundo Theresa May, o uso desse armamento pelas forças do presidente da Síria é "um padrão de comportamento persistente" e o governo de Londres acredita que "é muito provável que o regime sírio continue a usá-la desde então (junho de 2017) e deve parar".

"Acho que é certo e legal que a comunidade internacional intervenha para enviar essa mensagem clara" (que não será tolerado o uso de armas químicas), disse ela, ao mesmo tempo admitindo que preferiria "um caminho alternativo" ao uso da força, embora "nesta ocasião, não havia nenhum".

"Não podemos permitir o uso de armas químicas, seja na Síria, nas ruas do Reino Unido ou qualquer outro lugar", disse May, acrescentando que agora é necessário "restabelecer o consenso global que essas armas químicas não podem ser usadas".

Quanto à ação militar coordenada, efetuada de madrugada junto com França e Estados Unidos, insistiu que "é absolutamente do interesse nacional do Reino Unido".

"A lição que se aprende nessa história é que quando as regras e padrões globais que nos protegem são ameaçados, devemos nos posicionar e defendê-los", afirmou a primeira-ministra, lembrando que isso é algo que o Reino Unido "sempre fez e continuará fazendo".

Além disso, May também foi questionada se a ofensiva sobre a Síria representa um aviso para a Rússia, país apontado pelo Reino Unido como responsável pelo envenenamento, no início do mês passado, em Salisbury (sul da Inglaterra) do ex-agente Sergei Skripal e sua filha Yulia com um agente nervoso.

A primeira-ministra respondeu que "a ação tomada na Síria foi uma medida focada em degradar e evitar a capacidade operacional e a determinação do regime sírio de usar armamento químico".

"Eu acho que também deveria ser uma mensagem dirigida para outros de que a comunidade internacional não vai ficar parada e permitir que armas químicas sejam usadas impunemente", acrescentou.