Crise política interna obriga Trudeau a recorrer à unidade do Canadá

Julio César Rivas.

Toronto, 15 abr (EFE).- O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, recorreu neste domingo à unidade do país e à Constituição canadense para garantir a construção de um oleoduto que está provocando uma grave crise política pelo enfrentamento de duas províncias canadenses.

A oposição da Colúmbia Britânica, no litoral do Pacífico, a aprovar a construção de um oleoduto que garanta a exportação para a Ásia do petróleo extraído das ricas jazidas da província de Alberta, se transformou na crise política interna mais grave desde que Trudeau chegou ao poder em 2015.

A Colúmbia Britânica se opõe à ampliação do oleoduto conhecido como Trans Mountain, construindo um segundo oleoduto em paralelo ao existente que triplicará sua capacidade, por temor do vazamento de milhares de barris de petróleo pesado que contaminariam seu litoral por gerações.

Por sua parte, Alberta e Ottawa consideram que o Trans Mountain é "de interesse estratégico vital" para a economia porque assegurará a exportação de petróleo aos lucrativos mercados da Ásia já que, até agora, a maioria do petróleo da região é exportado a preços com descontos aos Estados Unidos.

O enfrentamento foi escalando nas últimas semanas e explodiu justamente quando Trudeau se preparava para entrar no avião que o levou ao Peru no último dia 11 de abril para participar da Cúpula das Américas.

Nesse dia, a empresa Kinder Morgan anunciou de forma efetiva a suspensão do projeto de ampliação do Trans Mountain pela incerteza causada pelo governo da Colúmbia Britânica.

Em resposta, Alberta informou que estava considerando limitar o fornecimento de petróleo à Colúmbia Britânica, o que dispararia o preço da gasolina, transformando a guerra de palavras em um conflito econômico interno.

Não é a primeira vez que Alberta ameaça com uma guerra comercial. Semanas atrás, a província já tinha imposto a proibição de importar vinho da Colúmbia Britânica, um dos setores mais importantes da região.

A escalada do conflito fez com que Trudeau alterasse sua viagem ao Peru e o início de uma excursão pela Europa.

Trudeau deveria ter viajado hoje diretamente de Lima à Europa, para visitar a França até 17 de abril, e o Reino Unido, onde permanecerá até o dia 20 deste mês.

No entanto, o primeiro-ministro canadense se viu obrigado a alterar seus planos de viagem para realizar hoje em Ottawa uma reunião de urgência com os chefes de governo da Colúmbia Britânica, John Horgan, e a sua colega de Alberta, Rachel Notley.

Depois de se reunir com os chefes de governo dessas províncias, Trudeau deixou claro que imporá a construção do oleoduto sobre a rejeição da primeira.

"Somos uma federação vasta, variada, cooperativa, construída sobre séculos de compromisso. Mas, sobretudo, somos um só país, governado pela nossa Constituição e o império da lei", declarou Trudeau.

O primeiro-ministro acrescentou ainda que solicitou ao seu ministro de Finanças que "inicie discussões formais com a Kinder Morgan", empresa proprietária do oleoduto, "para eliminar a incerteza" que existe neste momento sobre sua construção.

Além disso, Trudeau informou às duas províncias que "estamos trabalhando em opções legislativas que reforçarão a jurisdição do governo do Canadá neste problema que claramente temos".

No entanto, apesar da reunião entre Trudeau, Horgan e Notley, e a advertência de que Ottawa imporá a construção do oleoduto, a Colúmbia Britânica anunciou hoje que manterá sua oposição ao Trans Mountain, um projeto muito impopular na província.

A Colúmbia Britânica também confirmou que recorrerá aos tribunais para impedir a construção, abrindo a possibilidade de que o conflito político se transforme em uma grave crise constitucional para o país.

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