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Europeísta Djukanovic já discursa como novo presidente de Montenegro

15/04/2018 20h05

Podgorica, 15 abr (EFE).- O candidato pró-Europa Milo Djukanovic já falou neste domingo como próximo presidente de Montenegro, após as projeções da apuração terem indicado sua vitória ainda no primeiro turno das eleições.

Djukanovic, líder do Partido Democrático dos Socialistas (DPS), no poder há quase três décadas, teria obtido 54% dos votos, segundo cálculos da ONG CeMI com quase todos os votos apurados.

"Alcançamos mais uma vitória a favor do futuro europeu de Montenegro", afirmou Djukanovic após conhecer os resultados e declarar-se vencedor.

"Entendo este resultado antes de tudo como uma confirmação da firme determinação de Montenegro de seguir pela via europeia, pelo caminho que nos levará a converter-nos em membro de pleno direito da União Europeia (UE)", disse o novo presidente na sede do DPS perante seus eleitores.

Djukanovic se mostrou convencido de que nos próximos cinco anos, o tempo de duração do mandato de presidente, Montenegro alcançará esse objetivo.

Se a vitória for confirmada de forma oficial amanhã, Djukanovic voltaria ao poder apenas dois anos depois de deixar o posto de primeiro-ministro, embora tenha permanecido na liderança do DPS.

O político de 56 anos foi seis vezes primeiro-ministro e já foi presidente em uma ocasião. Além disso, impulsionou no ano passado o ingresso da pequena república na OTAN e quer que Montenegro entre em meados da próxima década na UE.

Em seu discurso de hoje, Djukanovic reiterou que sua prioridade será o desenvolvimento econômico para melhorar o nível de vida em um país com um salário médio de 500 euros e uma taxa de desemprego de cerca de 20%.

Também se mostrou disposto a trabalhar para superar as profundas divisões na sociedade montenegrina, ao indicar que estendeu a mão aos seus opositores "para trabalhar juntos na solução dos desafios de Montenegro".

Djukanovic é, para muitos, uma figura polarizadora, considerado pelos seus partidários um fiador da estabilidade e das ambições europeias do país, enquanto para seus adversários é o criador de um sistema clientelista e corrupto que mantém sua legenda no poder.

Nas ruas da capital Podgorica, os apoiadores de Djukanovic celebraram a vitória com fogos de artifício e buzinaços.

Esta votação é a primeira desde que Montenegro se uniu à OTAN no ano passado e era um teste para Djukanovic, que apoia a integração europeia frente a vínculos mais estreitos com um aliado tradicional como a Rússia.

Segundo as estimativas da CeMI, o candidato da maioria das formações opositoras, entre elas as pró-russas, Mladen Bojanic, ficaria em segundo lugar, com 33,6% dos votos.

Bojanic se mostrou esta noite "orgulhoso" do resultado das eleições, nas quais teve como rival "o homem que sequestrou as instituições".

"Isto não é uma derrota, é uma boa base para continuar lutando. E seguirei a luta para libertar Montenegro de Djukanovic e sua ditadura", destacou Bojanic, que se negou a felicitar o rival pela vitória.

Estas foram as terceiras eleições presidenciais desde a independência de Montenegro, conseguida em 2006 após separar-se do Estado comum que formava com a Sérvia.

Djukanovic, o político dominante do país, e seu governamental DPS, dirigiram Montenegro durante quase 30 anos, desde a queda do comunismo na antiga Iugoslávia, um caso único nos Balcãs.

O presidente se elege para um mandato de cinco anos e, embora careça de poder executivo e tenha um papel mais protocolar, é um cargo de grande prestígio.