Físico argentino desaparecido desde 1977 informa que está vivo nos EUA

Buenos Aires, 16 abr (EFE).- Um físico nuclear formado pelo Instituto Balseiro da Argentina e denunciado como desaparecido da última ditadura militar do país estabeleceu contato com essa instituição para confirmar que está vivo e que vive agora nos Estados Unidos, segundo confirmaram à Agência Efe fontes oficiais.

"Eles me ratificaram que sim, que tiveram a sorte de poder estabelecer contato com Gentile (a pessoa em questão), que este homem se comunicou e que está em perfeito estado de saúde", afirmou à Efe o secretário de Direitos Humanos argentino, Claudio Avruj.

Em 1977 se perdeu o rastro de Antonio Gentile - nascido em 1933 na cidade de Mar del Plata, na província de Buenos Aires - que estudou no Instituto Balseiro de Bariloche, na província de Río Negro, e figura na lista de cientistas desaparecidos dessa escola junto com Susana Grinberg, Eduardo Pasquini e Manuel Tarchitzky.

Por isso, o nome de Gentile foi protagonista de diversos atos de homenagem a vítimas da ditadura de organizações de direitos humanos do país, como as Avós da Praça de Maio.

Segundo explicou o titular de Direitos Humanos, em 2015 se recebeu nessa secretaria, na província do Rio Negro, a denúncia formal de desaparecimento por parte de ex-companheiros do entorno profissional de Gentile e se iniciou um expediente para inclui-lo na Comissão Nacional sobre Desaparecimento de Pessoas (Conadep).

Avruj afirmou que o relatório resultou inconclusivo por não contar com a informação necessária para completar o trâmite burocrático e que "não houve maiores reivindicações" a respeito.

As últimas informações sobre Gentile eram da década de 1970 e indicavam que, supostamente, ele estava viajando de Nova York a Buenos Aires para buscar uma irmã sua que tinha sido sequestrada durante a ditadura.

No entanto, Avruj afirmou que na Conadep, que registra mais de 9.000 casos, aparecem duas mulheres com o mesmo sobrenome, mas não há constância, por enquanto, que nenhuma seja sua parente.

"Em Rio Negro circula a informação de que é filho único", disse.

Avruj também destacou que os familiares de Gentile nunca solicitaram nem receberam a indenização econômica a que têm direito os parentes das pessoas mortos pela ditadura.

"Esta pessoa não cobrou indenizações, nenhum parente recebeu no seu nome e também não houve pagamento", confirmou o secretário.

Devido às estranhas circunstâncias pelas quais se soube que Gentile segue vivo - levando em conta que o Instituto Balseiro recebeu esta informação há várias semanas, mas não a divulgou -, o caso suscitou reações que põem em dúvida o trabalho dos organismos que trabalham para encontrar estas pessoas.

Por esta razão, a secretaria conduzida por Avruj se comunicará novamente com a instituição para investigar como se conheceu a notícia e esclarecer por que não foi publicada muito antes, assim como para tentar entrar em contato diretamente com Gentile.

"Este fato não mancha todo o trabalho que se tem feito pela busca das pessoas desaparecidas. É um capítulo da busca, de alguém que não se sabia o paradeiro, mas não se pode banalizar o drama das vítimas do terrorismo de Estado e dos organismos de direitos humanos", concluiu Avruj.

Gentile foi docente entre os anos 50 e 60 na Universidade de Buenos Aires e desenvolveu grande parte da sua carreira científica na Comissão Nacional de Energia Atômica, após o que se mudou aos Estados Unidos para continuar com seu trabalho em outra universidade.

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