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Milícia líbia lança nova ofensiva contra Derna sem esperar retorno de Hafter

16/04/2018 12h46

Trípoli, 16 abr (EFE).- O chamado Exercito Regular Líbio (LNA), sob o comando do marechal Khalifa Hafter, homem forte da Líbia, lançou uma nova operação para conquistar a cidade oriental de Derna, controlada por grupos jihadistas, informou nesta segunda-feira à Agência Efe um de seus responsáveis.

O novo ataque, ocorrido na noite do domingo, se deu em meio aos rumores sobre a saúde do marechal, internado há dias em um hospital de Paris após "se sentir indisposto" durante uma visita oficial, segundo anunciou o porta-voz do LNA, Ahmad al Mismari, no fim de semana.

A mesma fonte respondeu assim às especulações da imprensa local que apontavam que Hafter, de 73 anos, tinha morrido por conta de um derrame cerebral.

Tal informação também foi desmentida pelo enviado especial da ONU para a Líbia, Ghassam Saleme, que afirmou ter conversado com o polêmico militar.

Embora o porta-voz tenha apontado que Hafter retornaria ao país "em poucos dias", fontes próximas ao LNA afirmaram à Efe que ainda não há data para o seu retorno e que este depende da decisão dos médicos.

Nesse contexto, o próprio Al Mismari anunciou ontem à noite que as diversas unidades no cerco a Derna receberam a ordem de se preparar para intensificar o assalto à cidade, coração do Islã radical na Líbia.

Por isso, o porta-voz pediu à população local que colabore para acabar com o domínio de grupos como o braço líbio do Estado Islâmico e da organização da Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI), que ainda controlam grande parte do centro urbano.

A decisão de abrir uma nova operação militar foi adotada em uma reunião conjunta do Estado Maior do LNA dirigida pelo número dois desta força, tenente general Abdul Raziq Al Nadouri.

Antigo membro da cúpula que alçou ao poder Muamar al Kadafi, Hafter foi recrutado pela CIA no final dos anos 80 e levado aos Estados Unidos, onde obteve a cidadania americana e se tornou o principal opositor líbio no exílio.

A Líbia é um estado falido, vítima do caos e da guerra civil desde que em 2011 a Otan contribuiu militarmente para a queda de Kadafi.

Atualmente, há três focos de poder no país: um governo tutelado pela ONU em Trípoli; o Parlamento na cidade oriental de Tobruk, dominado por Hafter; e a poderosa aliança levantada pelas cidades-estado de Misrata e Zintan.

A isso se somam dezenas de milícias e governos locais, que muitas vezes mudam de lado, grupos jihadistas e redes mafiosas dedicadas ao contrabando de armas, combustível e ao tráfico de pessoas.