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Pastor dos EUA julgado na Turquia por "espionagem" nega acusações

16/04/2018 10h30

Istambul, 16 abr (EFE).- O pastor cristão americano Andrew Brunson, cuja detenção na Turquia há um ano e meio estremeceu as relações entre Washington e Ancara, negou nesta segunda-feira as acusações de terrorismo, no primeiro dia do seu julgamento em um tribunal de Esmirna.

"Rejeito todas as acusações. Não estive envolvido em nenhuma atividade ilegal", afirmou Brunson no tribunal que o julga por "colaboração com grupo armado" e "espionagem política e militar".

Se for considerado culpado, o pastor pode ser condenado até 35 anos de prisão, informa a agência turca "Anadolu".

O missionário protestante estava vivendo há 23 anos na Turquia, onde liderava uma pequena congregação chamada Igreja da Ressurreição de Esmirna, que conta com 30 a 40 membros, quando foi detido junto à sua esposa, Norine Brunson, em 7 de outubro de 2016.

Enquanto ela foi libertada semanas mais tarde, o tribunal de Esmirna decretou prisão preventiva para o pastor.

A Promotoria acusa Brunson de ser membro da rede de seguidores do predicador islamita Fethullah Gülen, que vive exilado nos Estados Unidos e a quem Ancara responsabiliza pelo fracassado golpe de Estado de 2016.

No entanto, ao mesmo tempo atribuem a ele vínculos com o proscrito Partido de Trabalhadores de Curdistão (PKK), a guerrilha curda marxista na Turquia, inimiga da confraria de Gülen.

O presidente do tribunal perguntou a Brunson se era correto que tinha tripla nacionalidade - americana, alemã e espanhola -, mas o acusado desmentiu ter outra cidadania além da do seu país natal.

No julgamento estavam presentes, além da esposa do pastor, o senador americano Thom Tillis e o embaixador para liberdades religiosas internacionais, Sam Brownback.

O caso de Brunson aumentou as tensões entre Ancara e Washington, sobretudo desde que o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, insinuou a possibilidade de deportar o pastor em troca da extradição de Fethullah Gülen.

"Os senhores têm outro pastor em suas mãos. Entreguem-no a nós e nós faremos o que pudermos com o judiciário para entregar aos senhores" Brunson, propôs Erdogan em setembro do ano passado.