União Europeia evita dar apoio explícito ao bombardeio na Síria

Luxemburgo, 16 abr (EFE).- Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) evitaram nesta segunda-feira dar um apoio explícito ao ataque contra a Síria realizado neste final de semana por Estados Unidos, Reino Unido e França em resposta ao suposto uso de armas químicas em Duma e se limitaram a assegurar que o "entendem".

"O Conselho entende que os ataques aéreos dos Estados Unidos, da França e do Reino Unido dirigidos contra as instalações de armas químicas na Síria foram medidas específicas tomadas com o único objetivo de evitar usos adicionais de armas e substâncias químicas por parte do regime sírio para matar seu próprio povo", declararam.

Os chefes da diplomacia dos 28 países do bloco se expressaram nesse sentido nas conclusões de uma reunião de ministros realizada nesta segunda-feira em Luxemburgo.

Nelas também condenaram "firmemente" o emprego "contínuo e repetido" de armas químicas pelo governo de Bashar al Assad, incluindo o ataque de 7 de abril no qual morreram dezenas de pessoas e que é "uma grave violação do Direito internacional e uma afronta à decência humana", assinalaram.

"A UE expressa sua grave preocupação com a violação na Síria da Convenção sobre Armas Químicas e a proibição universal da utilização de armas químicas", destacaram, para mais adiante manifestar seu apoio à investigação da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) e apresentar a possibilidade de aplicar sanções adicionais a Damasco.

O ministro espanhol, Alfonso Dastis, afirmou em entrevista coletiva durante o encontro que não é possível "deixar sem reação" a utilização de armamento químico por parte do regime sírio, embora tenha destacado que defende uma solução política e diplomática para pôr fim à guerra no país árabe.

Além disso, admitiu que as conclusões não recolheram um apoio direto aos bombardeios deste fim de semana na Síria porque "alguns Estados-membros" levaram em conta que a iniciativa militar não contava com o aval das Nações Unidas.

Fontes diplomáticas indicaram que a Irlanda expôs as maiores reservas, enquanto Suécia e Chipre também tiveram dúvidas.

"Acredito que todo mundo teria preferido que o Conselho de Segurança da ONU tomasse ações decisivas com o mandato completo da ONU. Isso não foi possível", declarou o ministro irlandês, Simon Coveney, em referência aos vetos russos nas Nações Unidas.

Seu colega britânico, Boris Johnson, disse ao chegar à reunião que os ataques "calibrados e proporcionais" contra o regime de Assad foram "totalmente corretos", tanto para o Reino Unido como para o resto do mundo.

"Foi a forma com a qual o mundo disse que o uso de armas químicas já foi suficiente. A erosão desse tabu que esteve em vigor durante cem anos foi longe demais com Bashar al Assad e era hora de dizermos não", explicou.

De todas formas, os 28 quiseram dar mais atenção à negociação para encontrar uma solução política ao conflito, no marco das Nações Unidas em Genebra.

"Me parece muito claro que existe a necessidade de dar um impulso ao relançamento do processo político liderado pela ONU neste momento", declarou a alta representante da União para Assuntos Exteriores, Federica Mogherini, que também pediu a Rússia e Irã, aliados de Damasco, que pressionem o governo sírio para que faça parte dessas negociações.

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