Procuradoria da Romênia acusa Ion Iliescu de crimes contra a humanidade

Bucareste, 17 abr (EFE).- A Procuradoria-Geral da Romênia acusou formalmente nesta terça-feira o ex-presidente do país Ion Iliescu de crimes de contra a humanidade, pelo massacre de mais de mil civis durante a sangrenta revolta que derrubou o regime comunista do ditador Nicolae Ceausescu, em dezembro de 1989.

Em comunicado, a Procuradoria afirma que, como chefe que foi da chamada Frente de Salvação Nacional (FSN), o único centro de poder que existiu nos dias seguintes à queda de Ceausescu, Iliescu (que foi presidente da Romênia entre 1990 e 1996 e entre 2000 e 2004) é o principal responsável pela morte de 1.104 pessoas em confrontos que também deixaram mais de 5 mil feridos.

A nota explica que, junto a outros membros do alto escalão do governo, Iliescu manipulou e desinformou deliberadamente a população para despertar temores quanto a supostos "terroristas" e assim fortalecer o seu poder.

Essa política levou a sangrentos confrontos de rua, enquanto, de fato, transformou a chamada revolução em uma espécie de golpe de Estado, considerou a instância jurídica.

A investigação tem foco nos fatos acontecidos em Bucareste entre 22 de dezembro de 1989, dia em que Ceasescu fugiu de helicóptero da capital devido ao levante popular, e em 27 de dezembro, dois dias após sua execução e de sua esposa, Elena, após terem sido detidos e submetidos a julgamento sumaríssimo.

Iliescu, de 88 anos, que no passado tinha pertencido ao Partido Comunista, se transformou no "homem forte" da transição e foi um dos organizadores do FSN, que tomou o poder durante tais fatos.

"Como iniciador e coordenador do único comando" que dirigia o país e, depois, "em qualidade de presidente" do FSN, "Iliescu aceitou e oficializou medidas militares", alguma delas a fim de provocar e manipular, ressaltou a Procuradoria.

Esta autoridade atribui os tiros indiscriminados contra "pessoas que não desenvolveram atividades hostis" à "psicose terrorista que alcançou cotas paroxísticas entre os militares e civis armados".

Segundo a Procuradoria, Iliescu "peria ter contido" o derramamento de sangue, mas não o fez.

Além de Iliescu, outras quatro figuras chave da transição romena são acusadas por este caso: o ex-primeiro-ministro Petre Roman; o ex-vice-primeiro ministro Gelu-Voican Volescu; o então chefe da Aviação Militar e membro do Conselho Militar Superior, Iosif Rus; e o ex-almirante Emil Dumitrescu.

A Procuradoria decidiu, além disso, estender a investigação ao período de 27 a 31 de dezembro de 1989, dias nos quais ocorreram diversos incidentes, embora de menor violência.

Este já muito longo processo jurídico, denominado "Revolução", tinha sido arquivado em 2015 por falta de provas, mas foi reaberto em junho de 2016.

Até o momento, apenas 30 pessoas - nenhuma de máxima responsabilidade - foram condenadas pela violência contra os civis, enquanto as vítimas se queixam do abandono por parte do Estado.

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