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Sobe para 27 o número de mortos em protestos e saques na Nicarágua

22/04/2018 17h47

Manágua, 22 abr (EFE).- Pelo menos 27 pessoas morreram, entre elas um policial e um jornalista, nos protestos contra a reforma da previdência social na Nicarágua que começaram na última quarta-feira, informaram neste domingo organizações de direitos humanos do país centro-americano.

Os últimos dados de governo, correspondentes à sexta-feira, estimam o número de mortos em ao menos 10. No entanto, os protestos vêm se agravando desde então e continuam os enfrentamentos e os atos de vandalismo, incluindo os saques.

O jornalista nicaraguense Ángel Ganoa morreu ontem à noite ao ser atingido por um disparo na cidade de Bluefields, na Região Autônoma da Costa Caribe Sul (RACS) enquanto transmitia ao vivo os protestos contra o governo de Daniel Ortega, confirmou o programa de notícia "El Meridiano", para o qual a vítima trabalhava.

A polícia nacional, por sua vez, informou que um de seus agentes se encontra entre a vida e a morte em um hospital após ser atingido por um disparo na cabeça em Manágua.

Soldados do exército da Nicarágua estão mobilizados em várias cidades pelo segundo dia após uma noite de enfrentamentos e vandalismo, que se agrava a cada dia.

Hoje, no quinto dia de protestos, o país também amanheceu com saques a lojas e supermercados em Manágua e em outras cidades do interior.

Em imagens divulgadas neste domingo por veículos de imprensa e nas redes sociais é possível ver pessoas carregando objetos produto de saques em lojas e supermercados de Manágua.

"Grupos de vândalos da direita estão saqueando filiais de supermercados", reportou o site governamental "El 19 Digital".

Por outro lado, organizações contrárias à reforma da previdência denunciaram que os saques estão sendo protagonizados por grupos ligados ao governo, em uma tentativa de confundir a população em uma para deslegitimar sua luta.

Estudantes convocaram para hoje uma nova manifestação na Universidade Politécnica (Upoli), em Manágua, que foi um dos centros de referência dos protestos contra o governo.

O presidente Ortega culpou no sábado "pequenos grupos da oposição", cujo nome não especificou, de serem os causadores do vandalismo.

Durante um pronunciamento em rede nacional, Ortega, que esteva acompanhado pelos responsáveis do exército e da polícia, em nenhum momento mencionou o número de mortos e feridos durante os enfrentamentos.

O papa Francisco disse hoje que está "preocupado" com a situação na Nicarágua e pediu o "fim da violência" no país centro-americano após a oração do Regina Coeli diante de milhares de fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Os protestos na Nicarágua continuam mesmo depois que o presidente Ortega anunciou ontem que estava disposto a dialogar com os empresários para buscar uma alternativa para a reforma da previdência, que desencadeou os protestos mais fortes vistos nos últimos 11 anos de governo sandinista.

O Conselho Superior das Empresas Privadas (Cosep) condicionou o diálogo com o governo com o fim da "repressão" contra os manifestantes, uma posição que também foi assumida pela Junta Diretora da Câmara de Comércio dos Estados Unidos da Nicarágua (Amcham).