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Juiz argentino pede ao Brasil extradição do lobista Leonardo Meirelles

26/04/2018 20h23

Buenos Aires, 26 abr (EFE).- A Justiça da Argentina solicitou nesta quinta-feira ao Brasil a detenção e extradição do lobista Leonardo Meirelles por falso testemunho, por ter se desmentido sobre o pagamento de subornos ao atual chefe da inteligência argentina, Gustavo Arribas.

O juiz federal Claudio Bonadio também convocou para depor, por possível violação de deveres de funcionário público, os promotores Federico Delgado e Sergio Rodríguez, que tomaram o depoimento por videoconferência de Mireilles, por não terem lhe imposto o juramento de dizer a verdade, segundo um auto divulgado por fontes judiciais.

No início de 2017, o jornal "La Nación" publicou que Arribas, atual diretor da Agência Federal de Inteligência (AFI), cobrou em 2013, depois da reativação de um contrato para a Odebrecht, uma série de pagamentos realizados por Meirelles, condenado pela Operação Lava Jato que posteriormente decidiu colaborar com as autoridades brasileiras.

Por causa disso, a Justiça argentina começou a investigar os fatos, e em maio do ano passado Meirelles declarou no Brasil ter transferido US$ 850 mil das suas empresas em Hong Kong para uma conta de Arribas, que, segundo a acusação, tinha uma estreita relação com altos cargos de Buenos Aires, onde se deu o contrato realizado pela Odebrecht.

Arribas denunciou Meirelles, e só admitiu o pagamento de US$ 70.500 procedentes de Hong Kong, que correspondiam à venda de um imóvel em São Paulo.

Após requerer às autoridades da Suíça e da Argentina os movimentos das contas de Arribas (Meirelles primeiro disse que os pagamentos tinham sido para o país europeu e depois mudou essa versão), o juiz Bonadio afirmou que nenhum dos subornos foram credenciados.

Por isso, emitiu uma ordem de captura nacional e internacional contra Meirelles e solicitou ao Brasil sua extradição.

Além disso, resolveu coletar o depoimento dos promotores argentinos que interrogaram Meirelles, porque "optaram por omitir deliberadamente a imposição do juramento que devem fazer de dizer verdade".

No entanto, um dos promotores, Federico Delgado, reagiu hoje assegurando que a medida era "vergonhosa" e que o juiz tem um "problema pessoal" com ele.