Temer e Piñera afinam relação econômica e abraçam oposição venezuelana

Eduardo Davis.

Brasília, 27 abr (EFE).- O presidente Michel Temer e seu homólogo do Chile, Sebastián Piñera, estabeleceram nesta sexta-feira uma maior cooperação bilateral no âmbito econômico e abraçaram a oposição venezuelana, encarnada em Brasília pelo ex-prefeito de Caracas, Antonio Ledezma.

Um dos frutos da visita de Piñera ao Brasil, a primeira do segundo mandato que começou no mês passado, foi a decisão de que ambos países começarão a negociar um acordo de livre-comércio, que aperfeiçoe as medidas que regem atualmente essas relações.

"Recebemos hoje a proposta de Piñera de negociar um novo e mais ambicioso acordo de livre-comércio. Já não se trata de eliminar as barreiras tarifárias. Queremos ir além e derrubar todas as barreiras reguladoras", afirmou Temer em um pronunciamento junto ao presidente chileno.

Essas futuras conversas foram emolduradas nos esforços dos funcionários dos dois países para conseguir uma maior aproximação entre o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e a Aliança do Pacífico, integrada por Chile, Colômbia, Peru e México, à qual ambos governos lhe conferem um "caráter estratégico".

Também no marco da visita de Piñera foram assinados diversos acordos para dar uma maior proteção aos investimentos mútuos e sobre compras governamentais, que neste último caso permitirá a empresas de um e outro país participar das licitações de ambos governos.

"Nossos empresários se conhecem muito bem e se relacionam com absoluta fluência. O nosso papel como governos é dar condições para continuar incentivando essas relações", declarou Temer, que se disse convencido de que ambos acordos propiciarão um maior investimento privado em ambos sentidos.

Ambos governantes destacaram o elevado nível dos investimentos mútuos, que representam hoje US$ 31 bilhões em capitais chilenos no Brasil e US$ 4 bilhões colocados pelas empresas brasileiras no Chile, bem como o fluxo comercial bilateral, que em 2017 chegou a US$ 8,4 bilhões.

Além das relações comerciais e econômicas, Piñera propôs a Temer um trabalho conjunto mais profundo na área de segurança, especialmente no setor cibernético.

"Os países da América Latina, todos eles, são vulneráveis aos ataques cibernéticos, que podem ser mais devastadores que as armas tradicionais", advertiu o governante chileno.

Ambos governantes também reservaram palavras de solidariedade para a Venezuela, afundada em uma grave crise política, social e econômica e que hoje, de forma pouco comum, esteve literalmente presente na entrevista entre Piñera e Temer.

O ex-prefeito de Caracas, Antonio Ledezma - exilado na Espanha desde novembro do ano passado, quando saiu da casa na qual cumpria prisão domiciliar e fugiu do seu país -, chegou hoje a Brasília para uma série de reuniões políticas e foi convidado a participar do almoço oferecido por Temer à delegação chilena no Itamaraty.

"Vemos com preocupação a situação da Venezuela (...) e reiteramos que é necessária uma saída democrática", declarou Temer.

Piñera, por sua parte, insistiu na necessidade de eleições "realmente livres e democráticas" nesse país e também recebeu uma proposta de Ledezma, para que "se abra com a maior brevidade um canal de ajuda humanitária para os venezuelanos".

Ledezma não tomou a palavra, mas em declarações à Agência Efe considerou "muito importantes" os pronunciamentos de ambos governantes e qualificou como uma "homenagem aos democratas venezuelanos" a decisão de convidá-lo a esse almoço.

"É uma demonstração de solidariedade que todos os venezuelanos saberão agradecer", frisou o ex-prefeito.

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