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Rússia pede verificação da veracidade de documentos israelenses sobre o Irã

01/05/2018 10h46

Moscou, 1 mai (EFE).- A Rússia pediu nesta terça-feira que seja comprovada a veracidade dos documentos revelados por Israel sobre um suposto programa nuclear secreto iraniano, que violaria o acordo assinado em 2015 com o Ocidente.

"Considero que isto não seja motivo para convocar uma reunião da comissão da AIEA, já que primeiro é preciso analisar esses 100 mil documentos para comprovar se são verídicos", disse Mikhail Ulyanov, embaixador russo perante as organizações internacionais em Viena, aos veículos de imprensa locais.

Ulyanov lembrou que os inspetores da AIEA "não comunicaram nenhuma violação nos mais de dois anos de vigência do acordo nuclear".

"Os inspetores da AIEA estão no Irã praticamente de maneira permanente. A metade das atividades de inspeção do AIEA envolve o Irã", destacou.

O embaixador criticou que nos EUA alguns políticos já tenham opinado "uma decisão negativa" para o Irã após estudar "em um tempo recorde" os documentos israelenses.

"Nem a Rússia e nem a AIEA nunca realizaram avaliações tão precipitadas e considero que também não farão nesta ocasião", ressaltou.

A respeito, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou hoje que líderes de países como Alemanha, Reino Unido e França aceitaram sua proposta de enviar delegações a Israel para investigar a documentação sobre a atividade nuclear iraniana.

Netanyahu disse que também falou com o presidente russo, Vladimir Putin, assim como com o chinês, Xi Jinping, mas ainda não decidiram se aceitarão o convite.

Segundo informou o Kremlin, em tal conversa telefônica Putin insistiu sobre a postura oficial que o acordo com o Irã "deve ser respeitado estritamente por todas as partes", uma vez que tem uma importância "crucial" para a estabilidade e segurança internacional.

Na segunda-feira, Netanyahu aplanou o caminho aos EUA para se retirar do pacto nuclear iraniano ao apresentar as supostas provas de um programa secreto e acusar o Irã do não cumprimento do acordo de 2015 assinado com o G5+1 (Rússia, China, Reino Unido, França, EUA e Alemanha).

O líder israelense mostrou cópias de documentos, chamados "arquivo atômico secreto iraniano", que teria sido escondido em um armazém no distrito de Shorabad, no sul de Teerã, e foi obtido pelos serviços de inteligência e posteriormente "compartilhados" com os EUA, que confirmaram sua "autenticidade".

Já o Irã qualificou hoje o anúncio de Israel como "propaganda política" para apresentar o país como uma ameaça e influenciar os Estados Unidos para que se retire do pacto.