Argélia rechaça denúncia do Marrocos sobre Irã e movimento independentista

Argel, 2 mai (EFE).- O governo argelino classificou nesta quarta-feira como "totalmente infundada" a acusação do Marrocos de que Irã e o grupo xiita libanês Hezbollah cooperam militarmente e armaram a Frente Polisário, o movimento independentista apoiado pela Argélia que luta pela autonomia do Saara Ocidental e contra a ocupação marroquina.

Assim informou o Ministério das Relações Exteriores argelino ao embaixador de Marrocos em Argel, que criticou a decisão de Rabat de romper laços diplomáticos com Teerã e pediu explicações.

"O embaixador do Reino de Marrocos foi recebido hoje pelo secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, que o transmitiu a rejeição da Argélia com declarações infundadas que implicam indiretamente a Argélia", explicou o porta-voz ministerial, Abdulaziz Benali Cherif.

As acusações e a ruptura das relações diplomáticas do Marrocos com o Irã colocam "em xeque indiretamente a Argélia", insistiu Cherif, citado pela agência oficial de notícias argelina "APS".

Na terça-feira, horas após Rabat anunciar a ruptura com Teerã, a Frente Polisário classificou a denúncia como "embuste de grande envergadura" e desafiou Rabat a apresentar provas de suas "falsas alegações".

Em declarações à Agência Efe, o porta-voz da Frente Polisário, Mohamad Hadad, afirmou que o movimento de Rabat mostra um "oportunismo político mesquinho" com o qual pretende "evitar a negociação que a ONU lembrou de empreender" sobre a questão do referendo pendente desde o acordo de cessar-fogo de 1991.

"É uma máscara e uma grande mentira. Marrocos busca proteção para se desligar do compromisso da negociação" - que deve resultar uma consulta sobre a autodeterminação da antiga colônia espanhola, como pediu a ONU -, ressaltou.

"Desafiamos Marrocos a apresentar a mínima prova. Marrocos vive em uma loucura e não sabe como sair da sua obrigação" de dialogar, concluiu.

No dia 27 de abril, o Conselho de Segurança da ONU esfriou as aspirações de Rabat ao dar um prazo de seis meses a Marrocos e à Frente Polisário para retomarem as negociações sobre Saara Ocidental, ressaltando a necessidade de avançar rumo a uma solução "realista" e "viável".

Com 12 votos a favor e três abstenções (de Rússia, China e Etiópia), o Conselho de Segurança aprovou também uma resolução que estende em meio ano o mandato da Minurso - a missão das Nações Unidas na ex-colônia espanhola - ao invés de 12 meses.

Segundo os especialistas, com este prazo mais reduzido visa enviar às partes um "sinal" de que a ONU quer acabar urgentemente com o bloqueio e ver avanços nas negociações, segundo defenderam os Estados Unidos, promotores da iniciativa.

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