Trump planeja contratar advogado que defendeu Bill Clinton de impeachment

(Acrescenta declarações de Rudy Giuliani).

Washington, 2 mai (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende contratar um dos advogados que defenderam o ex-presidente Bill Clinton de um pedido de impeachment em 1998.

A Casa Branca anunciou nesta quarta-feira a saída de Ty Cobb, que representou Trump até então na investigação sobre a interferência da Rússia nas eleições. O substituto não foi confirmado.

Segundo os jornais "The New York Times" e "The Washington Post", Trump pretende contratar o veterano advogado Emmet T. Flood, que fez parte da equipe que defendeu Clinton de um pedido impeachment aberto após o ex-presidente democrata mentir sobre sua relação com Monica Lewinsky.

"Durante várias semanas, Cobb discutiu sua aposentadoria e na semana passada informou ao chefe de gabinete (da Casa Branca), John Kelly, que nos deixará no fim deste mês", disse a porta-voz do governo, Sarah Sanders, em comunicado.

Cobb foi contratado no último verão com o objetivo de lidar com a investigação conduzida pelo promotor especial Robert Mueller sobre a interferência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016.

A maior parte do trabalho do advogado foi a produção de documentos para a investigação de Mueller. Um advogado de fora da Casa Branca, John Dowd, comandava uma equipe legal responsável por responder quase todas as demandas do presidente sobre o caso.

Dowd deixou o cargo em março discordar das estratégias do presidente, entre elas a insistência de Trump em permitir que Mueller o interrogasse. O advogado foi substituído pelo ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani, que mostrou abertura para programar o encontro entre o presidente e o promotor especial.

Em entrevista ao "Post", Giuliani disse que a saída de Cobb faz parte de uma tentativa de adotar uma estratégia jurídica mais "agressiva" no momento em que Mueller tenta interrogar Trump.

"Jay (Sekulow, outro advogado do presidente) sentiu que precisávamos de alguém mais agressivo que Cobb", disse Guiliani, que também não quis confirmar a contratação de Flood.

O ex-prefeito de Nova York afirmou que os advogados planejam pressionar Mueller a mostrar as provas reunidas até o momento na investigação e a limitar as perguntas que serão feitas a Trump. A imprensa revelou nesta semana que o promotor quer fazer 49 questionamentos ao presidente.

"Há pessoas que falaram sobre um possível encontro de 12 horas. Isso não vai ocorrer, eu garanto. Serão, no máximo, duas ou três horas, com um grupo limitado de perguntas", disse Giuliani.

Flood foi um dos responsáveis por evitar o impeachment de Bill Clinton no Senado em 1998. O advogado também trabalhou por dois anos na Casa Branca durante o governo de George W. Bush (2001-2009), assumindo as relações o Executivo e o Congresso.

O advogado também representou o ex-vice-presidente Dick Cheney em uma ação aberta pela ex-agente da CIA Valerie Plame.

De acordo com o "Times" e o "Post", espera-se que Flood adote uma postura mais dura em relação a Mueller do que Cobb, que pressionou o presidente a cooperar com o promotor especial.

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