Dezenas de milhares protestam na Eslováquia e lembram jornalista assassinado

Praga, 4 mai (EFE).- Dezenas de milhares de pessoas saíram nesta sexta-feira às ruas de Bratislava e outras cidades da Eslováquia para protestar, mais uma vez, contra o governo, e reivindicar o esclarecimento do assassinato do jornalista Khan Kuciak.

Às vésperas da data que estava prevista para o casamento de Kuciak e sua noiva, Martina Kusnirova, cerca de 25.000 pessoas se reuniram na praça SNP de Bratislava, segundo o jornal "Pravda", que transmitiu o protesto ao vivo em seu site.

Durante o ato foi exibido um vídeo de apoio enviado pela cantora e ativista americana Joan Báez (1941), ícone da música de protesto, no qual, entre outros, entoou junto com seu colega eslovaco Juraj Benetin o hino nacional do país centro-europeu.

"Ninguém resolve nossos problemas. Os que estamos aqui reunidos hoje e outras vezes propomos a ideia de uma Eslováquia decente, algo que estamos dispostos a defender e confiamos em fazê-lo todos juntos", declarou a estudante Karolina Farska aos manifestantes.

"Os políticos têm que nos devolver o país", acrescentou Farska, cofundadora do movimento "Por uma Eslováquia decente", após criticar o atual governo do primeiro-ministro, Peter Pellegrini, por não resolver os problemas da corrupção e do clientelismo.

No final do último mês de fevereiro, Kuciak e Kusnirova, ambos de 27 anos, foram assassinados a tiros em sua casa perto de Bratislava.

Kuciak, que trabalhava para o portal de notícias "Aktuality", estava investigando uma complexa rede da máfia italiana com vínculos que chegariam até o escritório do então primeiro-ministro, o social-democrata Robert Fico.

A morte do jornalista, que provocou a queda do gabinete de Fico, segue sem ser esclarecida, apesar de uma equipe internacional de investigadores trabalhar nas averiguações.

Perante esta situação, as mudanças no Executivo não conseguiram acalmar a indignação popular, e Farska acusou hoje o governo de Pellegrini de adotar medidas "para desviar a atenção dos verdadeiros problemas".

Os participantes do protesto pacífico também expressaram sua solidariedade com os jornalistas que foram despedidos nos últimos dias do ente de radiodifusão estatal "RTVS".

Alguns consideram que essa medida é uma cópia da censura vivida nos anos de "normalização" soviética do final da década de 1960 durante o regime totalitário tcheco (1948-1989).

Os líderes do "Por uma Eslováquia decente" solicitaram assinaturas para exigir um referendo sobre a convocação de eleições legislativas antecipadas.

Também em outras dez cidades do país, entre elas Kosice, Banska Bystrica, Trnava e Nitra, ocorreram diversos protestos pacíficos, todos organizados através das redes sociais.

Além disso, 400 tratores e várias centenas de carros se uniram aos protestos circulando em 19 vias do país, segundo os organizadores.

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