França reprova declarações de Trump sobre atentados de Paris

Paris, 5 mai (EFE).- A França mostrou neste sábado "firme desaprovação" com as palavras utilizadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para falar dos ataques terroristas de novembro de 2015, em Paris, e para defender a sua posição sobre a livre circulação de armas.

O Ministério de Relações Exteriores defendeu a legislação vigente na França sobre a restrição ao porte de armas de fogo. De acordo com o órgão, a livre circulação de armamento "não constitui um bloqueio aos ataques terroristas e pode facilitar o planejamento deste tipo de ação". Segundo o Ministério, cada país deve definir as suas próprias regras sobe o tema e a França "está orgulhosa de ser um país onde a compra e o porte de armas de fogo estão rigidamente regulamentados".

Ontem, Trump justificou a facilidade para se obter uma arma nos Estados Unidos em nome do "direito de liberdade", na convenção anual da Associação Nacional do Rifle (NRA). Ele também disse que a França é um dos países com a legislação mais restritiva para o porte de armas e, citando o massacre na casa de espetáculos Bataclan, afirmou que "se alguém naquele lugar tivesse uma arma (...) a história teria sido outra".

Depois, ele lamentou que "ninguém" tenha arma em Paris e afirmou que as pessoas que morreram naquela noite "foram brutalmente assassinadas por um grupo de terroristas armados". Para dar mais realismo ao que falava, Trump simulou a ação dos jihadistas no Bataclan: "'Venha aqui!' 'Bum!' 'Venha aqui!' 'Bum!' Os sobreviventes disseram que durou uma eternidade, mas se alguém naquele lugar tivesse armado, os terroristas teriam fugido ou morrido".

O Ministério de Relações Exteriores lembrou que os atentados de 13 de novembro de 2015, nos quais 130 pessoas morreram e centenas ficaram feridas, foram planejados fora da França e que neles foram utilizadas "armas de guerra".

"Graças à eficácia e ao profissionalismo das forças de intervenção especial e graças à coragem e ao heroísmo dos policias franceses, conseguimos poupar centenas de vidas".

O então presidente da França, François Hollande, também criticou Trump e escreveu no Twitter que as declarações são "vergonhosas".

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, igualmente reprovou a atitude do presidente americano. Ela afirmou que a "a encenação dos atentados de 2015" é "depreciativa e indigna".

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