Netanyahu: "O pacto dá enriquecimento de urânio e enriquecimento iraniano"

Jerusalém, 6 mai (EFE).- O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, criticou novamente neste domingo o acordo nuclear com o Irã perante um grupo de jornalistas, entre eles profissionais da Agência Efe, e afirmou que o pacto permite o "enriquecimento de urânio e o enriquecimento iraniano".

"O pacto é totalmente fracassado na questão armamentista. Aqui estão: 159 páginas. Dá enriquecimento ilimitado porque retira as sanções e dá a possibilidade de enriquecer urânio em escala industrial. Meia página é o único que trata sobre armamento. Isso é tudo", disse ele, mostrando o documento aos repórteres.

Faltando menos de uma semana para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decida se mantém ou não o acordo assinado por seu antecessor, Barack Obama, com o P5+1 (Rússia, China, França, Alemanha e Reino Unido) para limitar o programa nuclear iraniano, Netanyahu usa todos os artifícios para fazer com que as potências o abandonem.

Segundo ele, o documento "se baseia em uma mentira".

"Baseava-se em um relatório iraniano falso à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Está baseado em uma mentira e podemos provar", acusou, dias depois de anunciar que Israel possui parte do que chamou de "arquivo atômico iraniano", uma coleção de mais de 100 mil arquivos e 183 CDs obtida, segundo Netanyahu, pelos serviços de inteligência israelenses e que detalha o Projeto Amai.

Tal programa secreto teria servido para desenvolver armas nucleares, segundo ele. Fontes de inteligência, que pediram não ser identificadas, apontaram que o material apresentado na semana passada por Netanyahu "é a maior quantidade de informação capturada em um só evento, e a maioria é nova" e com muitos detalhes técnicos.

O primeiro-ministro israelense considera que o pacto nuclear é muito perigoso, uma vez que permite ao país "manter e esconder todo o seu conhecimento sobre armas nucleares".

Um importante funcionário israelense, que pediu anonimato, disse que, desde a assinatura do pacto nuclear, o Executivo em Teerã expandiu a influência pelo Oriente Médio, que antes se limitava a parte do Iraque e agora chega a quase todo esse país, Síria, Líbano e Iêmen. A relevância do material confiscado por Israel, assegura, está em demonstrar que o Irã guardou os estudos para desenvolver armas nucleares e utilizá-las no futuro. O acordo, além disso, não impede que o país enriqueça urânio, desenvolva novas centrífugas ou continue desenvolvendo mísseis para poder instalar neles uma cabeça nuclear.

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