Malásia vai às urnas para resolver "briga de família"

Alberto Masegosa.

Bangcoc, 8 mai (EFE).- A Malásia deve resolver nesta quarta-feira, nas urnas, uma "briga de família" entre os três principais líderes políticos do país, todos eles dirigentes ou ex-dirigentes do partido que está no poder desde a independência.

Tanto o atual primeiro-ministro, Najib Razak, quanto os agora opositores Mahathir bin Mohamad e Anwar Ibrahim fizeram carreira política na Organização Nacional para a Unidade Malaia (UMNO). Os três estão na disputa em situações diferentes - Najib e Mahathir como candidatos, e Anuar na prisão, mas não por isso menos presente na mente dos eleitores.

Filho e sobrinho de primeiros-ministros, Najib foi protegido de Mahathir quando o agora opositor controlava o partido e o atual chefe do governo começava sua trajetória pública. Aos 22 anos, em 1976, ele se tornou o deputado mais jovem da Malásia, e posteriormente ocupou os ministérios de Cultura, Juventude e Esportes, de Defesa e de Educação durante as duas décadas em que Mahathir foi primeiro-ministro, de 1981 a 2003.

O entendimento entre os dois começou a enfraquecer depois que Najib assumiu a presidência em 2009, e em 2013 conseguiu se manter no cargo. Desde então, Mahatir passou a questionar seu antigo pupilo.

Mahathir também apadrinhou Anwar, chegou a nomeá-lo como sucessor e teve com ele uma "relação ioiô". Após anos de uma amizade que ultrapassava o âmbito político e chegava ao aspecto pessoal pela proximidade das respectivas famílias, ele tirou o segundo pupilo da vice-presidencia, em 1998, sob a suspeita de que queria substituí-lo como primeiro-ministro antes do tempo.

Além disso, Mahathir acusou Anwar de abusar sexualmente de mulheres e homens e de praticar sexo anal, fazendo com que seu antigo homem de confiança fosse parar na cadeia. Os dois retomaram o diálogo, no entanto, por causa da inimizade que compartilham com Najib, a quem pretendem derrotar com a coligação que agora integram, a "Pakatan Harapan" ou Pacto pela Esperança. O plano é: se essa plataforma vencer, Mahathir, de 92 anos, voltará a chefiar o governo à espera de ser substituído por Anuar, que cumpre uma nova condenação por homossexualidade, considerada crime na Malásia.

Durante a campanha, Mahathir abordou um assunto delicado, ao culpar Najib por privilegiar a minoria chinesa, e Anwar bateu várias vezes na tecla sobre a suposta culpa do atual primeiro-ministro, tema também sensível em um país de maioria muçulmana.

Caso não ocorram surpresas de última hora, essas críticas não parecem colocar em risco o triunfo de Najib, candidato pelo "Barisan Nasional" ("Frente Nacional"), coligação articulada neste caso em torno do UMNO. A força da legenda governante em todas as instituições e nos setores da sociedade, da imprensa ao setor privado, passando pela Justiça, faz com que ele seja o favorito.

O desenvolvimento econômico do país e a sua imagem de praticar um islã moderado são, além disso, fatores a favor da atual administração, apesar de Najib ter sido atingido por escândalos de corrupção, em algumas ocasiões de grandes proporções. As práticas corruptas são, no entanto, uma marca na "família". Mahathir e Anwar também foram acusados de diversas ações de corrupção na gestão dos assuntos públicos.

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