Palestina teme perder terreno na América Latina pela influência dos EUA

Ana Cárdenes

Jerusalém, 8 mai (EFE).- A histórica decisão da Casa Branca de transferir a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém foi seguida pela Guatemala e Paraguai e poderia ser em breve por Honduras, decisões que fazem a Palestina temer perder terreno na América Latina pela influência de Washington.

"Os Estados Unidos estão buscando, de todas as maneiras, que outros países transfiram suas embaixadas e recorre a países mais pobres oferecendo dinheiro", lamentou à Agência Efe Mohammed Odeh, encarregado da América Latina no poderoso partido Fatah, liderado pelo presidente palestino Mahmoud Abbas.

Abbas realiza nesta semana uma viagem à Venezuela, Chile e Cuba para tentar reforçar as relações com estes países, a quem pedirá que não sigam os passos da Guatemala e do Paraguai, que mudarão neste mesmo mês suas embaixadas.

EUA se transformarão no primeiro país a mudar a localização da embaixada, na segunda-feira, transgredindo o consenso internacional de não reconhecer Jerusalém como capital nem palestina e nem israelense até que ambas as partes alcancem um acordo.

"Os países transferirem suas embaixadas para Jerusalém Ocidental não é tão grave, o problema sério seria se fizesse isso a Jerusalém Oriental", território palestino ocupado, afirma Odeh tentando diminuir importância ao fato.

Na sua opinião, "dois ou três transferirem as embaixadas não representa uma grande mudança para a causa palestina".

No entanto, acredita que esse não é o caminho e que os países latino-americanos deveriam "influenciar para que Israel acate a legislação internacional e as resoluções da ONU", e adverte que "as mudanças não favorecem nenhum processo de paz vindoura".

A decisão guatemalteca e paraguaia é a seu entender "fruto direto da pressão dos EUA" e de promessas de ajudas econômicas por parte da Casa Branca.

O deputado do Fatah e também encarregado da América Latina Fayed Saqa assegura que a mudança política em alguns países latino-americanos não beneficiou a Palestina.

"Nestes últimos anos houve uma mudança no panorama político. Um giro à direita, ligado à política americana, todos ouvimos as ameaças da representante americana na ONU contra os países que não seguem sua postura", explica.

"Infelizmente, a influência americana é muito poderosa", diz o parlamentar que, no entanto, não acredita que haverá muitos outros países que se somem à mudança.

"É triste, vai contra as convenções e a legalidade internacional. Eu acredito que seus parlamentos têm que colocar freio", acrescentou..

"Entre 2010 e 2012 houve uma conjuntura política na região que nos ajudou: governos de esquerda ou antiimperialistas. Agora há mais governos populistas, frágeis e questionados, que tratam de buscar a legitimidade ao amparo de Trump, aproximando-se de Israel.

"Em Honduras há 100 mil palestinos, mas ninguém se ocupa deles", a atividade palestina no continente caiu e não houve fomento e cultivo das relações, lamentou.

Em breve, a Palestina dará um passo para reforçar a presença, abrindo embaixadas na Bolívia e no Equador.

Mas para este oficial, "a situação que há hoje na América Latina é a pior historicamente em 30 anos ", algo que é constatado "nos votos de apoio na ONU, nas abstenções ou nas condenações sobre o que ocorre em Gaza", menos firmes que antes.

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