Apesar da derrota do EI, Iraque continua a conviver com insegurança

Shaalan al Khabouri.

Bagdá, 9 mai (EFE).- A expulsão do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) do Iraque no ano passado representou um avanço notável para o país, mas o clima de insegurança continua presente no país, que neste sábado realizará eleições parlamentares.

O primeiro-ministro, Haidar al Abadi, líder da coalizão Al Nasr, pretende capitalizar nas urnas a vitória militar sobre o EI, que em 2014 controlava quase a metade do território iraquiano e que no final do ano passado perdeu seus últimos domínios.

"Ninguém pode negar os esforços do atual primeiro-ministro, que conseguiu recuperar as terras que o Iraque perdeu durante o período de (o ex-premiê) Nouri al Maliki", disse à Agência Efe o analista político Sabah al Sheikh.

De acordo com ele, Abadi também ganhou apoios devido à dura reação do governo à turbulência na região autônoma do Curdistão, após a realização de um plebiscito de independência em setembro do ano passado.

A vitória sobre o EI e a recuperação de áreas que estavam sob o controle curdo, como a cidade de Kirkuk, rica em petróleo, "contribuíram para a estabilidade e melhoraram a situação de segurança", segundo Sheikh.

No entanto, os atentados em Bagdá e outras partes do país após a derrota do EI amargaram o sabor da vitória e ainda são um desafio para a segurança nacional.

Jihadistas ameaçaram cometer ataques durante a campanha eleitoral, e o candidato Farouk al Khabouri, que concorria a uma cadeira no Parlamento pela chapa liderada pelo vice-presidente do país, Ayad Allawi, foi assassinado em sua casa, na cidade de Mossul, por homens armados.

Além disso, outros sete candidatos foram alvos de tentativas de assassinato em diferentes partes do Iraque.

Outro perigo que pode ameaçar a estabilidade é a propagação de armas entre a população civil e a proliferação de milícias formadas para lutar contra o EI. Estes grupos armados pretendem também tirar proveito político do envolvimento na guerra, como é o caso do líder da Organização Badr, Hadi al Amiri que passou de lutar contra os jihadistas a liderar uma aliança política para as eleições.

Além da insegurança, a corrupção se tornou uma das grandes preocupações dos iraquianos e um dos principais desafios do governo, que descumpriu as promessas de erradicá-la de todas as instituições.

"A corrupção não é menos perigosa que o terrorismo, é um traço do trabalho governamental nos últimos 15 anos. O que afeta todos os aspectos da vida no país", disse à Efe o analista político Nazem al Khabouri.

"São as mais importantes eleições da história do Iraque depois da derrubada do regime de Saddam Hussein, porque após a eliminação do EI começará uma nova fase", acrescentou.

Para Khabouri, na nova etapa prestes a começar é preciso "aproveitar a união dos iraquianos contra o terrorismo, ou haverá uma volta à intolerância e à violência que causou a perda de milhares de vidas".

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