Ex-magistrada Alicia Pucheta é designada vice-presidente do Paraguai

Assunção, 9 mai (EFE).-A ex-magistrada da Corte Suprema de Justiça (CSJ), Alicia Pucheta, se tornou nesta quarta-feira a primeira mulher a ocupar a vice-presidência do Paraguai, ao ser designada pelo Congresso em uma sessão extraordinária na qual contou com a maioria dos votos.

A vice-presidência estava vaga desde que em abril o Congresso aceitou a renúncia de Juan Afara, do governante Partido Colorado, para concorrer ao Senado.

A designação de Pucheta abre o caminho para que se transforme mais adiante na primeira presidente do país, se o atual governante, Horacio Cartes, renunciar antes do final seu mandato, em agosto, para tomar posse como senador, após ser eleito no pleito de abril.

Nesse caso, Pucheta ocuparia o cargo apenas até 15 de agosto, quando assumirá o novo governo resultante das eleições de abril, nas quais Mario Abdo Benítez, do Partido Colorado, conquistou a presidência.

Pucheta era a única candidata a ocupar essa vaga, por indicação de vários senadores do oficialismo e com o apoio do próprio Cartes.

A nomeação de Pucheta, que renunciou na semana passada como magistrada da CSJ, foi sancionada pelo voto a favor de 27 senadores e 54 deputados, em sua maioria do oficialismo.

A sessão foi presidida pelo presidente da Câmara de Deputados, o colorado Pedro Alliana, perante a ausência do titular do Congresso, Fernando Lugo, que se ausentou junto com os outros quatro senadores da sua legenda, a esquerdista Frente Guasu.

A Frente Guasu, como outras formações opositoras, já tinha se oposto à designação de Pucheta desde que esta assinou, sendo magistrada da CSJ, a decisão que permitiu a habilitação de Cartes como senador.

Essas forças da oposição tinham apresentado à CSJ, antes das eleições de 22 de abril, uma impugnação da candidatura de Cartes alegando que a Constituição estabelece que um presidente em fim de mandato passa a ser senador vitalício, com voz, mas sem voto, no momento que conclui seu mandato.

Nesse sentido, alguns legisladores opositores presentes na sessão votaram contra a designação alegando que Pucheta incorreu em prevaricação quando apoiou essa sentença.

A senadora Desirée Masi, do Partido Democrático Progressista (PDP), disse, por exemplo, que "as sentenças da doutora Pucheta são inaceitáveis em uma República".

Por sua parte, o senador Alberto Wagner, do Partido Liberal, o maior da oposição, lembrou que Pucheta, sendo membro da CSJ, resolveu em 2007 outorgar a nacionalidade paraguaia ao brasileiro Dario Messer, conhecido como "o doleiro dos doleiros".

"Não é a pessoa idônea, adequada para o cargo", criticou Wagner. EFE

jm/rsd

(foto)

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