Casa Branca defende ética de Trump em polêmica por pagamentos ao seu advogado

Washington, 11 mai (EFE).- A Casa Branca defendeu nesta sexta-feira a ética do presidente americano, Donald Trump, por não se deixar "influenciar por interesses especiais", em referência às empresas que pagaram centenas de milhares de dólares ao seu advogado pessoal, Michael Cohen, para que lhes assessorasse após sua chegada ao poder.

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, não quis esclarecer se considera inadequados os pagamentos a Cohen de grandes empresas como AT&T e Novartis, mas destacou que esses contratos não influenciaram nas decisões de Trump, ou pelo menos não se demonstrou que tenham influenciado.

"O mais importante é que o presidente não se deixa influenciar pelos interesses especiais. Vai fazer o que acredita que está no interesse dos americanos em todo o país", disse Sanders durante uma entrevista coletiva.

"Esta é a definição de drenar o lamaçal, algo sobre o que o presidente falou constantemente durante a campanha" eleitoral de 2016, acrescentou.

Segundo informou nesta quinta-feira o jornal "The Washington Post", a gigante das telecomunicações AT&T contratou Cohen três dias depois que Trump chegou ao poder em janeiro de 2017, com o objetivo que lhe assessorasse em vários temas relacionados com o governo federal.

Entre eles estava sua projetada fusão com a Time Warner, anunciada em 2016 e avaliada em US$ 85,4 bilhões e que estava submetida à regulação das agências federais.

Durante a campanha eleitoral de 2016, Trump expressou sua oposição à fusão dos dois gigantes das telecomunicações e, em novembro do ano passado, o Departamento de Justiça dos EUA apresentou um processo para bloquear essa compra, em um caso que ainda está tramitando nos tribunais.

Sanders citou o fato de que o governo de Trump se opôs à fusão apesar do dinheiro recebido por Cohen como uma prova de que "nem o presidente nem seu governo foram influenciados por interesses especiais".

O diretor-executivo da AT&T, Randall Stephenson, reconheceu hoje em mensagem interna enviado aos seus funcionários que foi um "grande erro" contratar Cohen como consultor político, embora também tenha defendido que foi "legal e legítimo".

"Nunca lhe pedimos que nos organizasse uma reunião com ninguém no governo e nem ele se ofereceu para fazer isso", acrescentou.

A farmacêutica Novartis, radicada na Suíça, confirmou que tinha pago US$ 1,2 milhão a Cohen por um contrato de um ano e seu diretor-executivo, Vasant Narasimhan, também considerou um "erro" ter recorrido ao advogado de Trump para que lhe assessorasse em relação ao novo governo dos EUA.

De acordo com o "Washington Post", a empresa de Cohen, Essential Consultants, recebeu depois da eleição de Trump pelo menos US$ 2,95 milhões de distintas empresas e empresários.

Entre eles estavam os oligarcas russos Viktor Vekselberg e Andrew Intrater, que transferiram US$ 500 mil a uma conta corrente da Essential Consultants, a mesma que Cohen usou para pagar US$ 130 mil à atriz pornô Stormy Daniels por um polêmico pacto de silêncio sobre um suposto caso que teve com Trump.

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