Ortega disposto em aceitar pedido de igreja para instalação de diálogo

Manágua, 11 mai (EFE).- O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, disse nesta sexta-feira estar disposto a "trabalhar" os quatro pontos propostos pela Conferência Episcopal para criar uma mesa de diálogo nacional, a fim de superar a crise sociopolítica que já causou a morte de pelo menos 48 pessoas.

"Estamos de acordo em trabalhar cada um dos pontos levantados lá, tendo em conta que em toda sua boa vontade como mediadores e testemunhas", escreveu o líder ao cardeal nicaraguense Leopoldo Brenes em carta lida aos veículos de imprensa pela primeira-dama e vice-presidente, Rosario Murillo.

A Igreja Católica condicionou nesta sexta-feira a convocação da mesa de diálogo ao cumprimento de uma série de "premissas inevitáveis" por parte do governo.

Entre as condições solicitadas pela Igreja, o cardeal Brenes pediu ao governo que "permita no menor tempo possível o ingresso da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para investigar e esclarecer as mortes e sumiços de nicaraguenses".

Também pediu a retirada dos "corpos paramilitares e forças de choque que intimidam, coagem e agridem os cidadãos, assim como não utilizar a Polícia Nacional para qualquer tipo de ação repressiva".

Além disso, o líder religioso pediu o fim imediato da repressão, assim como assegurar a "integridade física dos estudantes universitários e diversos membros ativos que compõem a mesa de diálogo nacional".

Brenes exigiu que o governo "desse sinais críveis da sua vontade de diálogo e paz respeitando a dignidade e a liberdade das pessoas, assim como todos os direitos humanos dos trabalhadores, particularmente dos funcionários públicos, não forçando-os a participar de eventos partidários, nem paralisando o transporte nacional para os mesmos fins".

A Nicarágua completa nesta sexta-feira, 24 dias de uma crise causada por grandes manifestações a favor e contra o presidente Ortega, que começaram com protestos que rejeitavam a reforma na previdência social e que continuaram devido aos mortos por causa da repressão.

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