Aliança de ex-guerrilheiros e jovens vence eleições no Timor Leste

Bangcoc, 13 mai (EFE).- A aliança entre dois ex-guerrilheiros e um partido formado por jovens ganhou com maioria absoluta as eleições antecipadas de sábado no Timor Leste, segundo a apuração provisória anunciada neste domingo, que já contabilizou mais de 99% dos votos.

O ex-guerrilheiro e herói da independência Xanana Gusmão é o rosto mais conhecido da coalizão opositora Aliança para a Mudança e o Progresso (AMP), que obteve mais de 51% dos votos, o que equivale a 34 das 65 cadeiras do parlamento.

A AMP também inclui o partido de José Maria Vasconcelos, mais conhecido como "Tuar Matan Ruak", que foi companheiro de armas de Gusmão durante a ocupação do Timor pela Indonésia (1975-1999), e o partido jovem KHUNTO.

A histórica Frente Revolucionária do Timor Leste Independente (Fretilin), liderada pelo primeiro-ministro Mari Alkatiri, superou 34% dos votos, o que se traduz em 23 deputados, segundo a apuração reportada pela agência portuguesa "Lusa".

Outros partidos com menor representação parlamentar são o Partido Democrata (PD), a terceira força com 7,95% dos votos, e a Frente de Desenvolvimento Democrático (FDD), com pouco mais de 4%.

As eleições foram dominadas por políticos veteranos que tiveram um papel relevante durante a resistência à ocupação do Timor Leste pela Indonésia.

O opositor Xanana Gusmão foi um líder guerrilheiro durante a ocupação e, após a independência do Timor Leste, foi o primeiro chefe de Estado (2002-2007) e, mais tarde, do Executivo (2007-2015).

O primeiro-ministro e líder do Fretilin, Mari Alkatiri, trabalhou pela independência de Timor no exílio e já foi chefe de governo entre 2002 e 2005.

Alkatiri, um candidato muçulmano em um país de maioria católica, contou na campanha com o apoio de José Ramos-Horta, que foi o diplomata da resistência dos timorenses durante a ocupação e ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1996.

A votação transcorreu ontem com relativa tranquilidade, depois que 18 simpatizantes do Conselho Nacional para a Reconstrução do Timor Leste (CNRT), liderado por Xanana Gusmão, ficaram feridos ao serem atacados por supostos seguidores do Fretilin durante a campanha no fim de semana passado.

Gusmão também acusou o Fretilin de comprar votos com dinheiro e arroz, o que foi negado por Alkatiri.

O presidente timorense, Francisco "Louth-Olo" Guterres, do Fretilin, afirmou ontem que espera que os diferentes partidos aceitem os resultados e trabalhem para o bem comum do país.

Guterres convocou o pleito em janeiro, depois que o primeiro-ministro não conseguiu validar seu programa e orçamento ao ter maioria insuficiente no parlamento, formado após as eleições de julho do ano passado.

O chefe dos observadores australianos, o professor Damien Kingsbury, afirmou que a votação de ontem foi mais tensa que a realizada em 2017.

"Este ano foi menos amigável, com grande pressão política e discursos agressivos durante a campanha entre os líderes políticos e os militantes", afirmou Kingsbury ao veículo de informação "The Dili Weekly".

A República Democrática do Timor Leste nasceu em 20 de maio de 2002 como um dos países mais pobres do mundo e um passado determinado pelo colonialismo português, a ocupação da Indonésia e a transição tutelada pela ONU a partir de 1999.

A economia timorense depende das reservas de petróleo e gás do país, que representam ao redor de 70% do PIB e cerca de 90% das receitas do erário.

Apesar do aumento do orçamento e do financiamento de projetos nos últimos anos, 40% da população majoritariamente rural vive na pobreza no jovem país, onde 60% tem menos de 25 anos.

As atuais reservas energéticas do Timor se esgotarão até 2023, mas o novo governo poderá negociar a exploração de novas jazidas de petróleo e gás na reserva Greater Sunrise, situada em águas limítrofes com a Austrália.

Gusmão, cujos governos estiveram associados ao desenvolvimento com grandes projetos, deverá pactuar suas políticas com seus aliados, que defendem mais investimento em serviços públicos, na saúde e na juventude.

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