Ataque contra minoria cristã deixa 13 mortos na Indonésia

Ricardo Pérez-Solero.

Jacarta, 13 mai (EFE).- Pelo menos 13 pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas neste domingo em três atentados com explosivos contra igrejas na cidade de Surabaia, na Ilha de Java, o pior atentado contra centros religiosos cristãos na Indonésia desde o ano 2000.

O chefe da polícia nacional Tito Karnavian responsabilizou pelos ataques uma família indonésia que retornou da Síria, entre eles seus dois filhos de 18 e 16 anos, e suas duas filhas de 12 e 9 anos, de acordo com o veículo de informação local "Viva".

Os ataques suicidas, cuja autoria foi reivindicada pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI), aconteceram de forma sucessiva na manhã deste domingo, durante as missas celebradas em três igrejas - uma protestante, uma católica e outra pentecostal - na segunda maior cidade do país asiático, cuja maioria da população é muçulmana.

Em um primeiro momento, a polícia apontou como autor dos ataques o grupo jihadista vinculado ao Estado Islâmico, Jemaah Ansharut Daulah (JAD), que poderia ter ligação com a família.

A primeira explosão, que aconteceu na Igreja Católica de Santa Maria, teria sido detonada pelos dois filhos mais velhos do casal.

Imagens de uma câmera de segurança compartilhadas nas redes sociais mostram uma motocicleta entrando na Igreja de Santa Maria e, instantes depois, uma nuvem de fumaça sai pela entrada do templo.

A mãe e as duas filhas se suicidaram com explosivos na igreja protestante da rua Diponegoro, enquanto o pai realizou o atentado na igreja pentecostal da rua Arjuno com um carro-bomba.

"Muitas motocicletas e automóveis pegaram fogo e há um cerco de 100 metros", indicou um fotógrafo da EPA, agência europeia de fotos que conta com participação da Agência Efe, sobre o ataque em Arjuno.

Além disso, o esquadrão antibomba da polícia indonésia neutralizou uma bomba na parte externa da igreja em Diponegoro.

O presidente do país, Joko Widodo, transmitiu suas condolências aos familiares e amigos das vítimas em um pronunciamento televisionado gravado do lado de fora da igreja pentecostal, e afirmou que "o terrorismo é um crime contra a humanidade, que não tem relação com nenhuma religião".

Por sua vez, o secretário-geral da Associação de Igrejas da Indonésia (PGI, na sigla em indonésio), Gumar Gultom, indicou em entrevista coletiva que "não há religião que ensine violência e assassinato, qualquer religião ensina humanidade, paz e amor".

O ataque de hoje é o pior deste tipo no arquipélago asiático desde que uma série de atentados com bombas na noite do dia 24 de dezembro, véspera de Natal, do ano 2000 acabou com a vida de 18 pessoas e feriu cerca de 100 em várias cidades.

Nos últimos anos, o alvo principal dos atentados no país foi a polícia, mas as minorias religiosas, especialmente a cristã, também passaram a sofrer ataques de grupos islamitas.

A Indonésia é um país de maioria muçulmana onde 88% dos mais de 260 milhões de habitantes praticam o islã. O país está em alerta máximo nas semanas que antecedem o ramadã, que começa dentro de dois dias, porque são datas escolhidas pelos jihadistas para a realização de atentados

O país asiático sofreu vários ataques jihadistas, entre eles o cometido na turística ilha de Bali em 2002, que resultou em 202 mortes.

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