Novos confrontos deixam 1 morto e mais de 10 feridos na Nicarágua

Manágua, 15 mai (EFE).- Um novo confronto entre agentes da polícia e um grupo de manifestantes críticos ao governo deixou um morto e mais de 10 feridos nesta terça-feira no norte da Nicarágua, e provocou a intervenção de sacerdotes locais, que pediram o fim da violência, segundo informaram diversas fontes.

A vítima foi identificada como Wilder Reyes Hernández, de 37 anos, trabalhador da prefeitura de Matagalpa, afirmou o prefeito dessa cidade, Sadrach Zeledón, a meios de comunicação oficiais.

Segundo o prefeito, grupos antagônicos ao governo dispararam contra o trabalhador desse município e também queimaram parte das instalações da delegacia local.

"Essa gente não quer paz, querem derramar o sangue de irmãos no país, o que querem é dor, o sofrimento do povo de Matagalpa e do povo nicaraguense", denunciou o prefeito.

O enfrentamento começou hoje no município de Matagalpa quando agentes da polícia tentaram restabelecer a livre circulação de pessoas e veículos após o bloqueio de estradas por parte de manifestantes.

Segundo vídeos publicados através de meios de comunicação locais e de redes sociais e as denúncias dos moradores, os policiais dispararam com armas de fogo e bombas de gás lacrimogêneo, enquanto os manifestantes, que estavam nas ruas pedindo justiça e o fim da repressão, se defendiam com pedras, paus e morteiros de fabricação artesanal.

No meio desses enfrentamentos, os sacerdotes Óscar Decoto, César Corrales, Denis Martínez e Sadiel Eugarrio intermediaram e pediram a cessação da violência.

"As pessoas estão protestando, mas precisamos também intermediar para que não haja derramamento de sangue. É o que pede a Igreja. O protesto tem que ser pacífico, mas sem agressão, é o que sempre se pede", declarou Eugarrio a jornalistas.

A convocação de um diálogo nacional a partir desta quarta-feira não freou os saques, os enfrentamentos e os bloqueios nas estradas do país.

A Nicarágua completa hoje 28 dias de uma crise que deixou entre 54 e 65 mortos, segundo cifras de organizações humanitárias que não incluem a morte desta terça-feira no município de Metagalpa.

A crise é alimentada por manifestações a favor e contra o presidente nicaraguense, Daniel Ortega, que começaram com protestos contra uma reforma da previdência social e que continuaram devido às vítimas mortais dos atos repressivos das autoridades.

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