Topo

Combates no Sudão do Sul forçam deslocamento de milhares de pessoas

17/05/2018 09h11

Juba, 17 mai (EFE).- Milhares de cidadãos do estado sul-sudanês de União, no oeste do país, fugiram de suas casas pela explosão de combates entre grupos armados, segundo a Missão da ONU para o Sudão do Sul (UNMISS), que anunciou o envio de reforços para proteger os civis.

"Milhares de cidadãos começaram a fugir de suas casas após a explosão de novos combates e do movimento de grupos armados desde a zona de Koch para a população de Leer, ao sul da cidade de Bentiu", capital da Unidade, afirmou um comunicado da UNMISS.

A missão acrescentou que 30 povoados foram atacados, segundo trabalhadores da ONU, que viram "vários corpos queimados", embora não ofereceram números concretos.

O comunicado também denunciou que foram destruídas as infraestruturas de saúde e os armazéns de fornecimento.

"No terreno, vimos o assassinato premeditado de civis além de estupros, e sequestro de mulheres e crianças, além da destruição de casas e dos meios de vida de maneira programada para evitar a parente retornar às suas casas", acrescentou a nota.

Neste contexto, a UNMISS anunciou o desdobramento de 150 boinas azuis no Estado de Unidade, para evitar uma nova explosão da violência.

Segundo o comunicado, as forças de manutenção de paz farão patrulhas e serão reforçadas as bases da UNMISS situada em Leer, "onde se refugiaram vários civis".

A base de Leer que acolhe atualmente em torno de 2 mil deslocados, a maioria menores.

Os enfrentamentos entre as forças governamentais e rebeldes no Estado da União rebrotaram em abril em distintas zonas.

O secretário para Assuntos Humanitários da ONU, Mark Lowcock, disse hoje que o conflito no Sudão do Sul causou o deslocamento de cerca de 4,3 milhões de pessoas, quase um terço da população do país, enquanto sete milhões necessitam de assistência humanitária urgente.

Por outro lado, centenas de deslocados da etnia nuer se concentraram hoje no acampamento das Nações Unidas em Juba para pedir o final da guerra, a aplicação do acordo de paz e a libertação do líder opositor Riek Machar, que está sob prisão domiciliar na África do Sul, disseram testemunhas à Agência Efe.

"Como mulheres dentro do acampamento, a proteção dos civis em Juba é uma necessidade para a paz no país, porque nossos sofrimentos aumentam a cada dia", disse à Efe uma deslocada, Rebeca Nyang.

A manifestação coincide com o início de uma nova rodada de negociações entre as partes do conflito em Adis Abeba, sob os auspícios da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento no Leste da África (IGAD).