Quijada, o amante do teatro que quer devolver a moral à política venezuelana

Alberto Andreo.

Caracas, 17 mai (EFE).- Reinaldo Quijada, o candidato mais discreto das eleições presidenciais venezuelanas, é um amante do teatro e da literatura que nasceu há 58 anos na Suíça, já apoiou o falecido presidente Hugo Chávez e alega que sua candidatura visa devolver a moral à política do seu país.

Este engenheiro eletrônico lançou-se como candidato à presidência apesar de aparecer em último lugar entre os quatro candidatos e de lá nunca ter saído, e não foi visto fazendo o menor esforço para ficar conhecido em propagandas na televisão, nem em cartazes e muito menos realizando comícios.

Quijada esteve cercado desde muito pequeno pelo discurso político graças às visitas que recebia seu pai, Manuel Quijada, um diplomata venezuelano durante sua permanência em Genebra.

Este ambiente político foi sentido principalmente durante os seis anos em que a família esteve exilada na Itália e na Inglaterra após fazer parte da tentativa de golpe de Estado contra o então presidente venezuelano Rómulo Betancourt em 1962.

O pai de Quijada fez parte de governos e foi sempre próximo das tendências esquerdistas com as quais o hoje candidato teve uma aproximação nos seus tempos universitários e, posteriormente, com a aparição do presidente Hugo Chávez (1999-2013).

O agora candidato é amante também de música clássica, especialmente de Wagner e Beethoven, e estudou parte da sua formação em Engenharia Eletrônica nos Estados Unidos, antes de se mudar para Caracas para concluí-lo em 1987 na Universidade Simón Bolívar.

Neste centro de estudos, ele começou uma aproximação com o Movimento ao Socialismo (MAS), mas não se vinculou oficialmente com o mundo político até 1992, com o surgimento de Chávez e seu fracassado golpe de Estado.

Com Chávez no poder, ele integrou o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) a partir de 2007, mas rompeu em março de 2012 por diferenças na hora de encarar a situação do país.

Nesta época, germinou definitivamente a Unidade Política Popular 89 (UPP89), partido pelo qual ele concorrerá neste domingo e que tomou o número do ano do chamado "Caracazo", o levante popular de 1989 contra as medidas aplicadas pelo governo de então junto com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e que deixou um número ainda não determinado de mortos.

Quijada é casado, tem dois filhos, de 22 e 36 anos, fala inglês, italiano e francês. Também é articulista de vários jornais venezuelanos e publicou quatro obras de teatro. Fora da política, trabalha como consultor independente na área de comércio exterior nos setores agrícola e agroindustrial.

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