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Internacional

Secretaria Geral da OEA pede novas eleições na Venezuela

22/05/2018 21h44

Washington, 22 mai (EFE).- Um relatório da Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) conclui que as eleições de domingo na Venezuela foram realizadas sem o devido respeito às garantias básicas e, por isso, acredita que seja necessária a repetição do pleito.

O relatório, publicado nesta terça-feira, afirma que as eleições de domingo, nas quais o presidente Nicolás Maduro foi reeleito após o registro de alta abstenção, foi marcada pela violência contra a "participação política, impedindo candidaturas e criando obstáculos ao direito a voto de milhões de venezuelanos que vivem no exterior", que não puderam atualizar seus dados ou se inscrever no cartório eleitoral.

O relatório faz referência à impossibilidade de líderes da Mesa da Unidade Democrática (MUD) de concorrerem no pleito, como foi o caso de Henrique Capriles, considerado inelegível, e Leopoldo López, preso por crimes contra o governo.

A MUD não participou da disputa por considerá-la uma "fraude" e pediu abstenção em massa - e ela chegou quase a 54%, índice mais alto das últimas duas décadas no país.

Além disso, para a Secretaria Geral da OEA, "a escolha dos cidadãos venezuelanos não foi nem livre, nem secreta, nem universal", alegando a instalação de 1.400 "pontos vermelhos", centros chavistas de propaganda eleitoral e fiscalização de votos.

Maduro saiu vitorioso da eleição, ficando à frente do ex-governador Henri Falcón, segundo colocado, do ex-pastor evangélico Javier Bertucci, terceiro, e do engenheiro Reinaldo Quijada, quarto.

Devido a essa "violação", o órgão da OEA concluiu ser necessária a realização de um novo pleito.

"Não só é necessário nova eleição, mas que sejam dados a ela os padrões internacionais mínimos inerentes a todo processo eleitoral. Este relatório pode ser de grande utilidade para recuperar o sistema eleitoral venezuelano, que será peça-chave para o retorno da democracia ao país", disse o documento.

O relatório publicado hoje foi elaborado com base em declarações de atores políticos importantes no processo, relatórios técnicos de observação nacional, comunicados de imprensa de instituições públicas e informações difundidas por veículos de imprensa e redes sociais.

Alguns observadores internacionais que estão na Venezuela, entre eles o ex-presidente da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero, aprovaram o processo e pediram o reconhecimento da reeleição de Nicolás Maduro.

O pleito foi rejeitado pelo Grupo de Lima, que reúne 14 países do continente americano, entre eles o Brasil. Outras nações, no entanto, conclamaram pelo reconhecimento do resultado, como China, Bolívia, Rússia e Irã.

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