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Internacional

Taiwan rompe relações diplomáticas com Burkina Fasso

24/05/2018 10h53

Taipé, 24 mai (EFE).- Taiwan rompeu nesta quinta-feira as relações diplomáticas com Burkina Fasso após o anúncio prévio de ruptura por parte do país africano, "para manter a dignidade nacional", anunciou nesta quinta-feira o ministro das Relações Exteriores da ilha, Joseph Wu.

"A China é o principal fator por trás da ruptura", afirmou o ministro taiwanês, que acrescentou que Pequim ofereceu promessas milionárias de ajuda econômica ao país africano.

A principal razão da ação da China é a melhoria dos laços de Taiwan com países importantes como os Estados Unidos, explicou Wu, que convocou uma entrevista coletiva de urgência após conhecer a decisão de Burkina Fasso.

O ministro advertiu que Taiwan "não cederá perante a pressão chinesa", "nem vai abandonar o esforço para melhorar as relações com países afins", entre os quais mencionou os EUA.

"A China está mudando o status quo no Estreito (de Taiwan) com o roubo de aliados diplomáticos e com a intimidação militar", insistiu Wu.

O ministro taiwanês também anunciou a interrupção da cooperação e da ajuda bilateral com Burkina Fasso, e acrescentou que, após a ruptura, a ilha não vai manter com a China uma queda de braço na chamada "diplomacia do dólar", para tentar ganhar ou conservar aliados por meio de ajudas econômicas.

Burkina Fasso anunciou hoje a ruptura das relações com Taiwan para "defender seus interesses e de seu povo no concerto das nações", segundo uma declaração do Ministério de Relações Exteriores, que, no entanto, não fez menção a um possível estabelecimento de laços com a China.

O país africano era o aliado diplomático de Taiwan de maior dimensão, com 270 mil km² de território e 15 milhões de habitantes. Burkina Fasso manteve relações com Taiwan entre 1961 e 1973 e desde 1994 até agora, e manteve laços com a China entre 1973 e 1994.

Esta é a segunda perda de um aliado diplomático por parte de Taiwan em menos de um mês, depois que República Dominicana e China anunciaram em 1º de maio em Pequim o estabelecimento de relações diplomáticas.

Após a perda de Burkina Fasso, Taiwan conta agora somente com 18 aliados diplomáticos em todo o mundo, dos quais dez estão na América Latina e no Caraibe (Belize, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Haiti, São Cristóvão e Nevis, São Vicente e Granadinas, Santa Lúcia e Paraguai).

Outros seis estão na Oceania (Ilhas Salomão, Tuvalu e as repúblicas de Kiribati, Nauru, Palau e Ilhas Marshall), um país africano (Suazilândia) e o restante é europeu (Vaticano).

A China mantém atualmente conversas com todos os aliados diplomáticos de Taiwan, segundo revelou hoje o ex-conselheiro de Segurança Nacional taiwanês, Su Chi, que indicou que um alto cargo chinês lhe informou sobre esses contatos.

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