Iranianos choram a morte de ator pioneiro proibido de atuar após revolução

Teerã, 27 mai (EFE).- Os iranianos se despediram neste domingo, com lágrimas e críticas às políticas da televisão nacional, do falecido ator Nasser Malek Motiei, que foi proibido de continuar com sua profissão depois da revolução islâmica de 1979.

No grande funeral de Malek Motiei, que contou com a presença de um grande número de atores no centro de Teerã, as pessoas gritaram "Que sua alma descanse em paz" e denúncias contra a proibição de divulgar a imagem de seu artista favorito durante quase quatro décadas, segundo informou a agência iraniana de notícias "Isna".

Além disso, os atores e cineastas pronunciaram discursos críticos contra televisão pública nacional e a multidão respondeu com gritos de "Vergonha!".

Malek Motiei interpretou com grande talento papéis de pessoas da classe trabalhadora em muitos filmes iranianos, mas, depois da revolução, da mesma forma que outros atores, cantores e artistas em geral, foi proibido de seguir na profissão.

Durante a cerimônia, o dirigente do sindicato de diretores do Irã, Mohsen Amir Yusefíi aproximou seu telefone celular do microfone e divulgou a mensagem do ator mais popular da história do Irã, Behrouz Vossoughi, que atuou em vários filmes com Malek Motiei, mas teve que deixar o país após a chegada ao poder do regime dos aiatolás.

"Olá, meu querido povo, olá, Irã", disse Vossoughi por telefone, recebido com gritos e aplausos. "Depois de 40 anos minha voz chega ao povo, mas estou triste pela perda de um grande, um pioneiro, que da mesma forma que eu esteve esperando durante 40 anos", lamentou.

Em uma entrevista, muito divulgada nas redes sociais após sua morte, Malek falou sobre a proibição de exercer sua profissão durante todos estes anos: "Não tenho queixas, as pessoas me amam".

O ator morreu ontem em um hospital de Teerã aos 88 anos devido a problemas respiratórios e uma insuficiência renal.

"Para a República Islâmica, o problema não são os artistas em si, mas o fato de que estes artistas lembram as pessoas dos bons tempos da liberdade social. Eles trazem uma sensação de nostalgia, e o sistema não quer essas lembranças vivas", comentou à Efe um dos presentes no funeral que se identificou apenas como Farbod.

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