Ortega reaparece em público "Nicarágua pertence a todos e aqui ficamos todos"

Manágua, 30 mai (EFE).- O presidente nicaraguense, Daniel Ortega, reapareceu nesta quarta-feira em um ato público no meio da crise sociopolítica no país, que deixou mais de 80 mortos e na qual sua renúncia é constantemente reivindicada, e afirmou: "A Nicarágua pertence a todos e aqui ficamos todos".

"A Nicarágua não é propriedade privada de ninguém", acrescentou o governante em discurso perante seus apoiadores concentrados na avenida de Bolívar a Chávez, na capital Manágua.

"Os donos da Nicarágua somos todos os nicaraguenses, independentemente do pensamento político, ideológico ou religioso", completou.

Milhares de apoiadores do governo de Ortega, que está há 11 anos no poder, realizaram nesta quarta-feira um ato em defesa "da revolução, da Constituição e da paz "; enquanto outra grande marcha percorreu a capital para exigir justiça pela morte de pelo menos 83 pessoas no durante os protestos contra o governo.

Essa é a primeira vez que Ortega aparece em um ato público depois que participou no último dia 16 de maio na instalação da mesa de diálogo nacional, cujas sessões estão suspensas desde a semana passada, na qual uma aliança da sociedade civil e o governo pretendem conseguir uma saída à crise com a mediação da Igreja.

A manifestação governista de hoje aconteceu depois que o setor empresarial nicaraguense pediu a antecipação das eleições no país, uma das propostas da sociedade civil na mesa de negociação que gerou a denúncia do governo de uma tentativa de "golpe de Estado" e provocou a suspensão do diálogo.

Durante seu discurso nesta quarta-feira, Ortega lembrou os milhares de mortos na guerra civil que se viveu na Nicarágua nos anos 80, durante o primeiro regime sandinista, que dividiu as famílias nicaraguenses.

Devido a essas milhares de mortes, disse Ortega, "nos custou tanto chegar à paz naqueles anos, porque havia posições tão polarizadas, tão confrontadas, onde uma parte queria o extermínio da outra parte".

"Era monstruoso. Um setor fazia tudo pelo desaparecimento de todos aqueles que não pensam como pensa o outro", declarou Ortega, que qualificou esse episódio como "uma doença" que a Nicarágua sofreu ao longo da sua história.

Além disso, se referiu à dor sofrida pelas mães que perderam seus filhos durante estes dias de protestos.

"Mas essa dor imensa não pode levar à destruição das famílias nicaraguenses, não pode levar à guerra das famílias nicaraguenses", comentou.

"Pelo respeito a essas mães nicaraguenses o nosso maior compromisso, a nossa maior obrigação, é lutar pela paz que temos que recuperar os nicaraguenses", completou.

Enquanto Ortega fazia este discurso acontecia um tiroteio que deixou pelo menos oito feridos na grande marcha para apoiar às mães dos mortos durante os protestos contra Ortega.

A Anistia Internacional cifrou em pelo menos 83 o número de mortos durante a crise que explodiu em abril e, em relatório apresentado na terça-feira em Manágua, acusou o governo nicaraguense de implementar e manter uma estratégia de repressão "em algumas ocasiões intencionalmente letal".

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