Governador diz que 113 mil pessoas correm risco por conta de hidrelétrica

Medellín (Colômbia), 31 mai (EFE).- Cerca de 113 mil pessoas estão sob risco no noroeste da Colômbia, se a barreira em construção da usina hidrelétrica de Ituango que retém as águas do rio Cauca se romper, advertiu na quarta-feira, o governador do departamento de Antioquia, Luis Pérez García.

Ele deu o alerta durante um discurso na emissora de TV local "Teleantioquia", onde explicou a situação atual da obra, em emergência desde o último dia 7 quando aconteceu um deslizamento que fechou um túnel que desvia o rio Cauca, durante as obras.

"São mais de 113 mil pessoas que novamente foram avisadas, estamos em alerta vermelho", manifestou o governador, ao se referir aos moradores das localidades de Porto Valdívia e Porto Antioquia, assim como dos municípios de Caceres e Taraza, situadas a margens do Cauca, águas abaixo da barragem.

O alerta foi emitido na terça-feira pela União Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD) por causa de umas derrubadas que começaram no sábado passado nas montanhas que bordeiam a obra da hidrelétrica.

Pérez denunciou "uma forma de lidar com a informação" pois "as pessoas não sabem em quem acreditar" já que as Empresas Publicas de Medellín (EPM), dona da hidrelétrica, em alguns casos, "não forneceu a informação completa".

"Não há nenhum relatório técnico da EPM sobre se deve ou não se preocupar com este problema", afirmou o prefeito, questionando a maneira como a empresa lidou com a crise.

Ele explicou que há alguns dias, o governo dos Estados Unidos enviou para a região "analistas" com o objetivo de ajudar a resolver o problema de Hidroituango, e o mesmo fez a ONU, mas suas análises são diferentes das feitas pela companhia.

Segundo disse, para os especialistas estrangeiros os problemas "são muito graves e para EPM eram relativamente leves".

"Os analistas dizem que se a montanha desmoronar pode movimentar mais de 10 milhões de metros cúbicos de terra que ao cair sobre a água podem fazer uma onda que poderia provocar umas novas velocidades de água capaz eventualmente de derrubar a represa", acrescentou.

Esse deslizamento demoraria 48 minutos para chegar a Porto Valdívia e duas horas para Porto Antioquia, afirmou.

"Mais uma vez 113 mil pessoas estão sob tensão, sofrendo, e correm o risco que volte a ocorrer um deslizamento" como há umas semanas, que no entanto foi de menores proporções.

Além disso, Pérez disse os analistas estrangeiros estão preocupados, pois "suspeitam da maneira de como a barragem foi feita", pois asseguram que a parte final, onde ainda trabalham em caráter de emergência para que alcance uma altura de 415 metros, "foi construída com materiais que não cumprem os padrões internacionais".

O governador assinou um "decreto de calamidade pública" que cria uma consultoria técnica com analistas da Universidade Nacional para diagnosticar os "verdadeiros riscos".

Ele também enviou uma carta ao gerente da EPM, Jorge Londoño, para que ordene aos empreiteiros construtores que "apresentem ao governo um cronograma de atividades para superar a crise", finalizou.

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