Militares advertem que intervirão se não houver solução à crise em Madagascar

Antananarivo, 1 jun (EFE).- As Forças Armadas de Madagascar advertiram que poderiam declarar uma situação de exceção se não houver em breve uma solução para a crise política vivida no país, informaram nesta sexta-feira os veículos de imprensa locais.

Em um comparecimento perante a imprensa liderado pelo ministro de Defesa, o general Beni-Xavier Rasolofonirina, as cúpula militares pediram oficialismo e à oposição que consiga um acordo sob a ameaça da aplicação do artigo 61 da Carta Magna local, que dá poderes especiais ao presidente e declara a situação de exceção.

"Convidamos as partes envolvidas na situação atual a encontrar soluções que correspondam com os valores e a cultura malgaxe, assim como com a Constituição", afirmou Rasolofonirina, segundo divulgou hoje o portal "News Mada".

"Se isto não se concretizar, a grande família das forças da ordem se levantará como último salva-vidas para fazer respeitar o artigo 61 da Constituição e não deixará o país à beira do precipício", acrescentou.

O comunicado foi divulgado na quinta-feira, dia do fim do prazo dado pelo Tribunal Constitucional ao presidente, Hery Rajaonarimampianina, para nomear um novo primeiro-ministro de consenso - que encaminhe o país a convocar novas eleições neste mesmo ano -, após a saída do atual Executivo no último dia 25.

Esta nova equipe de governo deve refletir de maneira proporcional os resultados das últimas eleições legislativas realizadas neste país do sudeste africano, cuja votação foi em dezembro de 2013.

As eleições presidenciais e legislativas estavam originalmente previstas para o final do ano, mas a tensão política na ilha se agravou em 21 de abril, quando pelo menos quatro pessoas morreram em uma manifestação na capital, Antananarivo, contra novas leis eleitorais aprovadas no Parlamento.

A tensão prévia às eleições aumentou nos últimos meses, com acusações de compra de votos entre os parlamentares e a proibição de várias manifestações.

Rajaonarimampianina qualificou os protestos de "tentativa de golpe de Estado" e a oposição começou a sair quase diariamente às ruas exigindo a renúncia do chefe de Estado.

A oposição acusa o Governo de querer calá-la e censurá-la, e apresentou perante o Tribunal Constitucional uma carta para reivindicar a renúncia do presidente.

Em meados de maio, a União Africana (UA) lamentou a "intransigência" de Governo e oposição durante esta crise política, e garantiu que a falta de entendimento pode agravar a situação e dificultar a conclusão do processo eleitoral de forma pacífica.

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