Persistente, Pedro Sánchez dá xeque-mate em Rajoy e assume governo espanhol

Antonia Méndez Ardila.

Madri, 1 jun (EFE).- Líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez assumirá nos próximos dias a presidência do Governo da Espanha, no lugar de Mariano Rajoy, dois anos depois de renunciar à sua cadeira no Congresso em uma estratégia para dificultar, na ocasião, a posse de seu agora iminente antecessor.

Pedro Sánchez Pérez-Castejón, de 46 anos, foi eleito nesta sexta-feira no Congresso, ao ganhar a votação parlamentar de uma moção de censura que apresentou contra o governo de Rajoy. Para derrubá-lo, era preciso o apoio de 176 deputados, e o socialista conseguiu 180.

Ao assumir o cargo, o atual secretário-geral do PSOE se tornará o sétimo presidente do Governo desde a restauração da democracia, em 1977, e sucederá Rajoy, um adversário político com quem teve uma relação fria e distante, exceto a postura comum contra o processo separatista da Catalunha.

No primeiro processo eleitoral do qual ambos participaram, em 2015, Sánchez chegou a dizer que o rival não era um político "decente", por causa dos casos de corrupção protagonizados nos últimos anos por políticos do Partido Popular (PP), liderado por Rajoy.

O PSOE apresentou na semana passada uma moção de censura contra o governo depois que o PP foi condenado por lucrar em um caso de corrupção no qual, segundo a sentença judicial, usou de "caixa 2".

Sánchez se tornará o terceiro socialista a comandar o governo espanhol desde 1977, apesar de o PSOE só ter 84 deputados em uma Câmara de 350 - a menor representação da legenda desde a restauração democrática, e por isso ele teve que contar com o apoio de vários grupos políticos.

Mas esta não foi a primeira vez que Sánchez desafiou a aritmética parlamentar e se ofereceu como alternativa ao PP e a Mariano Rajoy, com o argumento de que é preciso regenerar a vida política espanhola.

Ele tentou ser presidente do governo em março de 2016, depois que Rajoy se renunciou a fazê-lo - embora o PP tivesse ganhado as eleições de dezembro de 2015, o que provocou a convocação de novas eleições, que voltaram a ser vencidas pelo partido conservador.

Desta vez, o líder socialista defendeu a moção de censura a partir de uma nova posição no parlamentarismo espanhol, já que ele não é senador, nem deputado.

Sánchez renunciou a sua cadeira parlamentar em 2016 para não se abster na posse de Rajoy, como foi decidido pela direção do PSOE para todos os seus congressistas - por causa daquela postura partidária, foi possível a reeleição do líder do PP como presidente do Governo em um momento de profunda indefinição política na Espanha.

A recusa de Sánchez em facilitar aquela reeleição gerou críticas internas, e os líderes regionais da legenda forçaram sua saída da liderança do partido.

Economista e ex-jogador de basquete, Sánchez não se deu por vencido: percorreu as províncias espanholas para se reunir com militantes socialistas e conseguiu novamente ser eleito secretário geral do PSOE em junho de 2017, após ganhar, no pleito interno, da presidente da região da Andaluzia, Susana Díaz, que era apoiada pela maioria dos dirigentes regionais da legenda.

Um ano depois, Sánchez tentou outra vez ser presidente do Governo, e na ocasião contou com o apoio unânime do Comitê Federal do PSOE.

O líder socialista foi nomeado pela primeira vez como secretário geral do partido em 2014, aos 42 anos, com um discurso de renovação e abertura, quando era um desconhecido para a maioria dos espanhóis.

Quatro anos depois, conseguiu chegar ao governo, mas seu percurso político não foi nada fácil, já que, além de ser questionado pelos correligionários, teve que lidar com sucessivas derrotas eleitorais e o surgimento de um novo partido, o Unidos Podemos, que dividiu a esquerda espanhola.

Militante socialista desde os 21 anos, Sánchez começou a carreira política como vereador na Câmara Municipal de Madri (2003-2009) e depois chegou ao Congresso dos Deputados, onde já em 2015 se tornou líder da oposição ao governo de Rajoy.

O político socialista conta com experiência no exterior, tendo trabalhado por dois anos em Bruxelas no fim da década de 90 como assessor da bancada socialista no Parlamento Europeu, e depois foi chefe de gabinete do Alto Representante das Nações Unidas na Bósnia para o Processo de Reconstrução, o espanhol Carlos Westendorp.

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