Direita eurocética vence eleições na Eslovênia, mas sem maioria de governo

Vesna Bernardic.

Zagreb, 3 jun (EFE).- O conservador Partido Democrata Esloveno (SDS), de Janez Jansa, eurocético e anti-imigração, foi o vencedor das eleições deste domingo na Eslovênia, mas enfrenta a complicada tarefa de encontrar parceiros de Governo.

Com 90,51% das urnas apuradas, o SDS conseguiu 25,16% dos votos, enquanto a recém criada Lista de Marjan Sarec aparece em segundo, com o 12,66%, de acordo com a Comissão Eleitoral.

Sarec, de 40 anos, um antigo humorista que se tornou um político liberal, reconheceu a vitória de Jansa, negou qualquer possível acordo com os conservadores e acredita que pode ter uma chance de buscar alianças para uma coalizão alternativa caso o SDS não consiga uma maioria para governar.

Jansa, de 59 anos e já duas vezes primeiro-ministro, espera voltar ao poder depois de uma campanha na qual recorreu ao medo de uma "invasão migratória" na pequena república de dois milhões de habitantes situada na denominada "rota dos Balcãs".

A campanha contra a imigração em um país pelo qual transitaram centenas de milhares de pessoas nos últimos meses de 2015 e no início de 2016 em seu caminho rumo à Europa Ocidental foi o ponto chave para a vitória, segundo os analistas.

Nos quatro primeiros meses do ano, a polícia interceptou 1.226 imigrantes que tentavam de entrar na Eslovênia ilegalmente, um número baixo comparado ao de outros países, mas que representa um aumento de 280% em relação ao mesmo período de 2017.

O líder conservador não escondeu sua admiração pelas políticas nacionalistas e eurocéticas do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, que participou de dois dos seus comícios.

Jansa foi primeiro-ministro em duas ocasiões, entre 2004 e 2008 e entre 2012 e 2013, ano no qual foi condenado a dois anos de prisão por corrupção, dos quais só cumpriu seis meses.

Os ascensão do SDS coincide com a queda do partido centrista, do até agora primeiro-ministro, Miro Cerar, que somou 9,51% dos votos, quando em 2014 obteve quase 35%.

Seus parceiros de coalizão, os Social-Democratas (SD), tiveram 10,07%.

O partido Esquerda obteve o apoio de 9,11%; e a direitista Nova Eslovênia (NSi) de 7,14%; enquanto outra das legendas do anterior Executivo, o Partido dos Aposentados (DeSUS), caiu para 4,94%.

A participação do eleitorado, segundo resultados ainda incompletos, seria uma das mais baixas das oito eleições realizadas desde a independência do país, em 1991, e foi de 48,73%.

A baixa mobilização também teria ajudado os conservadores, que têm uma base eleitoral mais fiel, segundo os analistas.

Todos os partidos descartaram a possibilidade de formar uma aliança com Jansa, a quem definem como um "populista de direita" e "radical", exceto a conservadora NSi e o ultranacionalista SNS, mas seu apoio seria insuficiente para uma maioria parlamentar.

O líder conservador se mostrou aberto a coalizões e pactos, e prometeu que seu governo lutará por "uma Eslovênia segura (...) na qual nossos tataranetos falarão esloveno e cantarão canções eslovenas".

As eleições acontecem em um momento de expansão econômica - está previsto um crescimento de 5% em 2018 e de 4% em 2019 - e baixo desemprego em um país duramente castigado pela crise econômica de 2008, e que esteve a ponto de precisar de um resgate internacional em 2013.

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