Mediterrâneo tem rota mais perigosa do mundo para imigrantes ilegais

Viena, 13 jun (EFE).- Mais de 10 mil pessoas morreram entre 2014 e 2017 em naufrágios quando tentavam de atravessar o Mediterrâneo, o que transforma a esta rota na mais perigosa do mundo para os emigrantes irregulares, segundo o relatório "Estudo global do tráfico de migrantes", publicado nesta quarta-feira pela ONU em Viena.

O documento, elaborado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), indica que 8.189 pessoas morreram no mundo todo em 2016 enquanto tentavam chegar de forma irregular a outro país, e quase metade dessas mortes - 3.832 - foram registradas no Mediterrâneo.

Em 2017 foram contabilizadas quase 6.200 mortes e, de novo, cerca da metade aconteceu no Mediterrâneo.

"Entre as diferentes rotas marítimas, a mediterrânea é a mais letal, com mais de 10 mil mortes de migrantes desde 2014", indica o documento.

Estes números só incluem as mortes que puderam ser documentadas, por isso a ONU adverte que pode ter havido muitas outras das quais não se teve notícia.

A imensa maioria das vítimas - 91% - acontece no Mediterrâneo central, na área que vai desde a costa da Líbia até a Itália.

A ONU explica que, pelo fato de a viagem ser mais longa nesta região, também é mais perigosa, em comparação com outras áreas do Mediterrâneo.

"Uma viagem típica ao longo desta rota pode ter 300 quilômetros de distância, em comparação com os cerca de 30 quilômetros entre a costa turca e algumas ilhas gregas, ou a costa norte do Marrocos e a Espanha", indica o estudo.

"Isto significa que há uma grande quantidade de pessoas que estão expostas durante muito tempo aos riscos do alto-mar", acrescenta.

O segundo motivo para o elevado número de mortes nesta região é "o comportamento impiedoso dos contrabandistas ativos ao longo desta rota".

"Com pouca consideração pela segurança dos migrantes, organizam viagens em embarcações frequentemente inavegáveis, superlotadas e inadequadas, durante épocas nas quais as condições meteorológicas são ruins", indica o documento.

O relatório lembra que as viagens de barco costumam ser experiências traumáticas para os migrantes, devido às más condições das embarcações e que, em algumas ocasiões, os traficantes põem em perigo a vida dos passageiros.

"Os migrantes podem ser empurrados pela borda a dezenas ou centenas de metros do litoral para permitir que os traficantes evitem ser detectados pelas autoridades", lembra o relatório.

"Para os imigrantes que não sabem nadar, esta prática pode ser mortal", acrescenta.

"Outra prática muito conhecida utilizada pelos contrabandistas é sabotar os navios para forçar as intervenções de resgate da guarda costeira assim que as embarcações se encontram nas zonas marítimas de competência do país de destino", conclui a UNODC.

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