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Foto de menina imigrante na capa da revista "Time" gera debate nos EUA

22/06/2018 16h52

Nova York, 22 jun (EFE).- A "Time" gerou nesta sexta-feira um debate depois que foi revelado que a menina que choradesconsoladamente enquanto sua mãe é revistada por um agente fronteiriço na icônica foto que a revista estampou na capa de sua próxima edição não foi separada de seus pais, como aconteceu com várias crianças na fronteira entre México e Estados Unidos.

A montagem da capa da "Time", que uniu a foto da menina com outra do presidente Donald Trump inclinando sua cabeça para olhá-la junto à frase "Welcome to America" (Bem-vinda à América), passou do impacto à controvérsia após declarações do pai da menina, de um agente fronteiriço e de autoridades que negaram a separação.

Em meio ao debate, a "Time" acrescentou ao final de um texto que foi publicado na última terça-feira uma correção na qual adverte que em sua versão original "descreveu erroneamente" o que aconteceu com a menina.

Segundo a revista, a criança não foi levada gritando pelos agentes fronteiriços, mas sua mãe a pegou e ambas foram levadas juntas.

O autor da imagem, o fotógrafo John Moore, detalhou como imortalizou em duas fotografias a sequência da detenção da mulher acompanhada pela pequena, ambas procedentes de Honduras, mas afirmou que não sabia o que pode ter acontecido com elas depois.

Em declarações à emissora "CBS", o agente da patrulha fronteiriça Carlos Ruiz afirmou que a fotografia está sendo usada para "simbolizar uma política", mas esclareceu que "esse não era o caso".

Ruiz explicou que a menina começou a chorar assim que a mãe a colocou ao seu lado enquanto era detida pelos agentes que a encontraram após terem cruzado o rio Bravo em direção ao Texas.

"Fui até a mãe e perguntei: Está bem? A menina está bem?", disse Ruiz, que relatou que a mulher respondeu que a menor estava cansada e com sede, pois era tarde da noite.

Fontes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) confirmaram à "CBS" que ambas permanecem em um centro no Texas.

Por sua vez, o pai da menor, identificado como Denis Javier Varela Hernández, disse ao jornal "The Washington Post" que reconheceu "imediatamente" sua filha quando viu a fotografia e que recebeu um telefonema de um funcionário do Ministério das Relações Exteriores de Honduras que o informava que estava com sua esposa.

"Este é o caso da minha filha, mas não é o caso de 2 mil crianças que foram separadas dos seus pais", apontou Varela, que se disse orgulhoso por sua filha ter representado a imagem da migração.

Mas as críticas contra a publicação, entre elas as do filho do presidente, Donald Trump Jr., e da porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, não demoraram a surgir, assim como as vozes que qualificaram capa como "fake news".