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Líder rebelde do Sudão do Sul será levado para fora da África do Sul

22/06/2018 09h12

Adis Abeba, 22 jun (EFE).- O ex-vice-presidente e líder da oposição armada do Sudão do Sul, Riek Machar, será retirado da África do Sul, onde se encontra sob prisão domiciliar, para um país situado fora da região, informou nesta sexta-feira o Ministério das Relações Exteriores sul-sudanês, que acrescentou que esta decisão foi tomada pela Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento no Leste da África (IGAD).

"Riek, segundo a decisão do conselho de ministros da IGAD (bloco regional de países que faz a mediação no conflito do Sudão do Sul), será levado para fora da região e não ficará em nenhum país próximo do Sudão do Sul", informou o ministério em comunicado.

Machar poderá escolher onde ficar, mas não "na região ou em qualquer outro lugar próximo do Sudão do Sul", diz a nota, que atribui essas palavras ao presidente rotativo da IGAD e primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed.

Abiy organizou na quarta-feira o primeiro encontro em quase dois anos de Machar com o presidente sul-sudanês, Salva Kiir, na capital etíope, mas, à vista dos fatos, a conversa não rendeu frutos.

Uma vez que as atuais negociações acabem, "Riek tem que ser levado para fora da África do Sul, fora da região e fora de qualquer lugar próximo do Sudão do Sul", reafirmou hoje o ministro interino de Relações Exteriores sul-sudanês, Martin Lomuro, em entrevista coletiva em Adis Abeba, onde ontem aconteceu a 32ª cúpula extraordinária de chefes de Estado da IGAD.

Na mesma entrevista coletiva, o ministro de Informação sul-sudanês, Michael Makuei, considerou que seu governo fez "muitas concessões" nas negociações nestes dias, como a aceitação de criar uma terceira vice-presidência, que não poderá ser ocupada por Machar, mas sim por alguém de seu partido, o Movimento de Libertação do Povo do Sudão na Oposição (SPLM-IO, na sigla em inglês).

"Machar não pode ser parte do governo", afirmou de forma contundente Makuei.

Além disso, Makuei acusou Machar de tentar "constantemente" golpes de Estado e ter causado conflitos e problemas à população sul-sudanesa.

"Como povo do Sudão do Sul, dizemos 'já chega'. Se quiser ser presidente, que espere até as próximas eleições", concluiu o ministro de Informação.

O anúncio da transferência do líder rebelde acontece depois que o primeiro-ministro etíope anunciou que será realizada outra nova reunião frente a frente de Machar e Kiir em 25 de julho em Cartum, no Sudão, segundo uma informação divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores desse país.

A IGAD propôs ontem um acordo aos líderes das partes em conflito, no qual figurava a inclusão de todas as forças políticas sul-sudanesas no Executivo, a criação de uma terceira vice-presidência, de forças armadas conjuntas, e a garantia de 35% de participação feminina, entre elas uma vice-presidente.

No entanto, a oposição armada do Sudão do Sul, que é liderada por Machar, rejeitou a "imposição" de um plano de paz e ressaltou que é necessário mais tempo para solucionar a guerra civil que o país vive desde 2013.

Kiir e Machar estão em conflito desde dezembro de 2013, quando o primeiro, da etnia dinka, acusou seu então vice-presidente, da tribo nuer, de orquestrar um golpe de Estado para derrubá-lo.

Ambos chegaram a um acordo de paz em agosto de 2015, mas os enfrentamentos entre as tropas governamentais e os rebeldes explodiram de novo em julho de 2016 e a violência continua até hoje.

O conflito deixou milhares de mortos e levou o país à beira de uma crise de fome, com 6 milhões de pessoas sem acesso a alimentos suficientes e 4 milhões de deslocados.