PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Advogada de Assange pede que deputados britânicos ajudem a resolver o caso

25/06/2018 10h02

Londres, 25 jun (EFE).- A equipe jurídica do jornalista Julian Assange pediu nesta segunda-feira que os deputados britânicos ajudem na resolução do caso do fundador do WikiLeaks, dado os receios que existem por sua saúde após seis anos vivendo na embaixada do Equador em Londres.

Em um relatório enviado aos parlamentares, Jennifer Robinson, advogada da defesa de Assange, afirmou que o Reino Unido pode destravar a situação, dando garantias de que ele não será extraditado aos Estados Unidos caso se entregue à Justiça britânica. O jornalista se refugiou na embaixada equatoriana em 19 de junho de 2012 para evitar ser entregue à Suécia por conta de acusações de suposto abuso sexual e porque temia que, uma vez no seu país, poderia ser entregue aos Estados Unidos por ter revelado dados confidenciais americanos.

"O Reino Unido pode resolver este caso, pondo fim a um exorbitante gasto público, dando garantias diplomáticas contra a extradição aos Estados Unidos. O senhor Assange deixou claro que está disposto a enfrentar a Justiça britânica, mas não à custa de enfrentar a injustiça americana", indicou a advogada.

Estima-se que as autoridades do Reino Unido gastaram 22 milhões de libras (cerca de R$105 milhões) para vigiar a embaixada, já que se Assange sair será imediatamente detido.

"O fracasso do Reino Unido em fornecer garantias foi a razão pela qual Assange buscou asilo na embaixada do Equador em 2012 e pela qual o Equador concedeu o status de refugiado pela Convenção de 1951 (Convenção das Nações Unidas relativa ao Estatuto dos Refugiados) e pela que segue lá", acrescentou.

Segundo Jennifer, dar a Assange segurança de que não será entregue aos Estados Undiso traria "benefícios" ao Reino Unido, já que poria fim ao gasto público da vigilância. A advogada sustentou que seu cliente vive em condições "difíceis", sem acesso a exercícios físicos fora do edifício e que a situação piorou "dramaticamente" desde que o governo equatoriano cortou as comunicações em 28 de março.

"A situação é claramente insustentável", ressaltou ela, lembrando que o jornalista só tem a permissão de ver os advogados.

Assange era requerido desde 2010 pelas autoridades suecas por causa de acusações de duas mulheres por suposto abuso sexual, mas a Suécia arquivou o caso no ano passado por não poder avançar nas investigações. No entanto, a Polícia deixou claro que Assange será detido se sair da embaixada por não ter cumprido com as condições da sua liberdade condicional imposta pela Justiça britânica em 2012.

O Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenção Arbitrária concluiu em 2016 que o jornalista está em uma situação do tipo.

"O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, responsável pela publicação de informações diplomáticas confidenciais que revelaram violações dos direitos humanos, está sendo detido arbitrariamente pela Suécia e pelo Reino Unido, desde o momento da ordem de sua captura em Londres, em dezembro de 2010, como resultado de uma ação contra ele realizada por ambos os governos", informou o grupo, em nota emitida em fevereiro daquele ano.

Em 28 de novembro de 2010, WikiLeaks começou a divulgar milhares de documentos com informações comprometedoras sobre a atuação do Executivo em Washington nos conflitos armados no Afeganistão e no Iraque e comunicações do seu serviço diplomático no mundo todo.

Internacional