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Começa julgamento de médico de 85 anos acusado de roubar bebês na Espanha

26/06/2018 06h44

Madri, 26 jun (EFE).- O primeiro julgamento realizado na Espanha por um caso de um bebê supostamente roubado em 1969 e entregue a uma mãe diferente começa nesta terça-feira, em Madri, com um médico de 85 anos no banco dos réus.

Trata-se do doutor Eduardo Vela, que enfrenta um pedido do promotor por 11 anos de prisão pelo roubo de um bebê há 49 anos em um hospital da capital espanhola.

Inés Madrigal, então o bebê supostamente roubado, chegou ao Tribunal Provincial de Madri entre aplausos de outras afetados, já que há várias associações de supostas vítimas dessas práticas, que começaram no regime de Francisco Franco e se prolongaram nos primeiros anos da democracia na Espanha.

"Este caso já não é meu, isto transcendeu. Todo mundo sabe que neste país foram roubadas crianças", disse Inés aos jornalistas, em sua chegada ao tribunal.

Algumas dezenas de vítimas e membros de associações que carregam pequenos cartazes com a palavra "Justiça" receberam Madrigal, enquanto o acusado entrou diretamente em um carro através da garagem do edifício.

Em sua chegada, Madrigal disse estar claro que iniciou um processo e que vai acabar igual como começou: "Sem saber quem é minha mãe biológica".

Por sua parte, o advogado dela, Guillermo Peña, confiou que finalmente as duas versões dos fatos podem ser confrontadas.

"Isto precisa ter um ponto final. Significa poder derrubar a fronteira psicológica que separa a especulação dos fatos reais", acrescentou.

De qualquer forma, o julgamento pôde ser concluído, pois tudo depende da decisão tomada nas questões anteriores, que foram iniciadas a portas fechadas e nas quais, segundo fontes jurídicas, será realizado um teste de contradição sobre o estado de saúde do médico.

O acusado alega sofrer de uma doença degenerativa que, segundo a sua defesa, não faz-o apto para enfrentar o julgamento, embora um exame forense tenha determinado que ele está capaz.

No entanto, nas questões prévias, esta questão voltará a ser levantada e o tribunal decidirá se Eduardo Vela pode declarar, portanto, se a audiência continua.

Se for desta forma, na sessão de hoje está previsto que declare o acusado e depois a própria Inés Madrigal e outras seis testemunhas.