PUBLICIDADE
Topo

ONU alerta que mercado mundial de drogas está em máximo histórico

26/06/2018 14h08

Luis Lidón

Viena, 26 jun (EFE).- A produção e o mercado mundial de ópio e cocaína atingiram máximos históricos, os entorpecentes sintéticos se expandem e as mortes por consumo de drogas aumentam, alertou nesta terça-feira a Organização das Nações Unidas (ONU) em seu Relatório Mundial sobre as Drogas.

"Se tivesse que descrever o relatório deste ano, faria como o dos recordes: temos uma produção histórica de ópio e cocaína", explicou em Viena à Agência Efe Angela Me, coordenadora do relatório e chefe de estatísticas do Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC).

"Desde que começamos a monitorar a situação, nunca vimos um nível assim de produção", acrescentou Me sobre um panorama que qualificou de "cada vez mais complexo".

"As drogas tradicionais, como a heroína e cocaína, voltaram. Mas, além disso, houve intervenções recordes de substâncias sintéticas", lembrou Me.

A especialista explicou que para calcular a produção de drogas sintéticas não são utilizados os mesmos métodos do que para as derivadas de plantas, como a cocaína, e que a intervenção de precursores químicos e carregamentos são um indício do tamanho desse mercado.

"O fato de que vemos de novo apreensões recordes é um indício de que também o mercado de substâncias sintéticas está se expandindo", resumiu.

A especialista reconheceu que, levando em conta estes dados, o relatório deste ano "quase não tinha boas notícias".

A produção mundial de cocaína em 2016 alcançou o nível mais alto já registrado, com 1,4 mil de toneladas. Apesar desse recorde, os preços desta droga não caíram por um aumento do consumo em seus principais mercados: Estados Unidos e Europa.

Além disso, a ONU se mostrou especialmente preocupada com a expansão do consumo de cocaína na Ásia, um mercado enorme onde essa droga é vendida a um preço maior que nos EUA.

"É preocupante que o mercado esteja chegando também à Ásia. A Ásia é um lugar onde a cocaína é algo relativamente novo, e também na hora de aplicar a lei, não são tão hábeis para reconhecê-la e prender os traficantes", explicou Me sobre o mercado asiático.

Entre 2016 e 2017, a produção mundial de ópio aumentou 65% até as 10,5 mil toneladas, o registro mais alto desde que a ONU começou a calcular a produção mundial de ópio no início deste século. 90% dessa quantidade procede do Afeganistão.

O fato de o ópio e seus derivados, como a heroína, inundarem os mercados provocou uma queda aguda dos preços dessas drogas.

As drogas mais letais são, precisamente, as derivadas do ópio, entre elas a heroína e a morfina, assim como seus sucessores sintéticos, como o fentanil, e que no total causam 3/4 das mortes.

Estas drogas não somente podem matar por overdose, mas sua forma de consumo por meio de seringas é um perigo acrescentado pela transmissão de doenças como a hepatite C e o HIV, o vírus que causa a Aids.

O relatório conclui que, atualmente, que "os tipos e combinações possíveis de drogas para os consumidores nunca foi tão ampla".

Segundo o relatório da ONU, cerca de 450 mil pessoas morreram no mundo em 2015 pelo consumo de drogas, 60% a mais que no ano 2000.

O aumento das mortes é atribuído ao aumento da produção de ópio, a novos analgésicos e tranquilizantes de origem ilegal e, em geral, à proliferação de substâncias que criou "uma complexidade sem precedentes no problema das drogas", segundo o relatório.

O consumo não médico de opioides que são obtidos com receita - seja de forma legal ou ilegal - "está se transformando em uma grande ameaça para a saúde pública no mundo todo", adverte o relatório.

A Unodc lembra que só nos EUA as overdoses causaram mais de 63 mil mortes em 2016, em grande medida devido ao consumo por via intravenosa de derivados do ópio e opioides sintéticos usados como tranquilizantes ou analgésicos.

Um dos poucos dados positivos do relatório é que o consumo de drogas tem se mantido estável em torno de 275 milhões de pessoas, aproximadamente 5,6% da população mundial adulta.

Desse número, ao redor de 31 milhões supõem os consumidores mais vulneráveis, já que sua toxicomania causa problemas até o ponto de requerer tratamento e assistência médica.

A droga mais consumida é o cannabis, com cerca de 192 milhões de consumidores, seguida por opiáceos e opioides com 53 milhões, enquanto a cocaína conta com 18 milhões de consumidores.