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Rohani tenta acalmar população após greve incomum no Grande Bazar de Teerã

26/06/2018 09h06

Teerã, 26 jun (EFE).- O presidente iraniano, Hassan Rohani, prometeu nesta terça-feira aos iranianos que as necessidades básicas não faltarão, apesar da forte desvalorização da moeda local, em uma chamada à calma após a incomum greve no Grande Bazar de Teerã.

A queda da moeda iraniana, que há um ano cada dólar valia 40 mil riales, chegou nesta semana 90 mil riales, o que provocou protestos contra a política econômica do Governo e o fechamento ontem do bazar, que hoje segue parcialmente.

"Em nenhuma situação, inclusive na pior que os inimigos (aludindo aos EUA) querem criar, as pessoas não terão problemas com suas necessidades essenciais, inclusive comida", ressaltou Rohani em discurso, coletado pelo site da Presidência.

O líder explicou que "muitos produtos básicos, como o trigo, o óleo e o açúcar, são produzidos em nível interno ou importados e armazenados de modo suficiente".

Rohani criticou a desvalorização do rial no mercado livre - em nível oficial foi fixado outro valor - e garantiu que "para o fornecimento das necessidades cotidianas será dedicada suficiente divisa oficial".

"Por que as pessoas estão preocupadas com o futuro? Diminuíram as mercadorias no bazar? Diminuíu o nosso ganho em moeda estrangeira e em dólares?", perguntou o presidente.

Rohani também fez referência às sanções impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, após sua retirada em 8 de maio do acordo nuclear de 2015, que começarão a ser aplicadas em agosto e ameaçam afundar ainda mais a economia iraniana.

"Os EUA querem derrubar nossa nação com uma guerra psicológica e econômica", denunciou Rohani, que garantiu que o Governo iraniano poderá superar estes obstáculos.

No entanto, um merceiro do Grande Bazar de Teerã disse à Agência Efe que o mercado segue hoje "meio fechado" e que ele e outros comerciantes fecharam seus estabelecimentos depois da retomada dos protestos.

Os protestos de ontem se estenderam do Grande Bazar para outras zonas de Teerã, levando a polícia a ter que intervir para dispersar os manifestantes, que incendiaram contêineres de lixo.

O procurador-geral de Teerã, Abbas Jafari Dolatabadi, indicou hoje que foram detidos os instigadores destes distúrbios, embora não tenha falado de um número de detidos e tenha afirmado que os "bazaríes" não são contra o sistema.

As autoridades tomaram nos últimos dias uma série de medidas como proibir a importação de mais de 1,3 mil produtos, e criar um mercado secundário de divisa.

A delicada situação financeira provocou nos últimos meses amplos e sem precedentes greves de diferentes grêmios, enquanto no final de dezembro houve manifestações antigovernamentais em todo o Irã que derivaram em fortes críticas contra o próprio sistema da República Islámica.