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Justiça começa a ouvir acusação e defesa por morte de irmão de Kim Jong-un

27/06/2018 10h19

(Atualiza com declarações dos advogados de defesa).

Bangcoc, 27 jun (EFE).- Os advogados das duas mulheres acusadas do assassinato em 2017 de Kim Jong-nam, o irmão mais velho do líder da Coreia do Norte Kim Jong-un, reivindicaram nesta quarta-feira a liberdade de suas clientes por falta de provas, durante a apresentação dos argumentos em um tribunal de justiça da Malásia.

A vietnamita Doan Thi Huong e a indonésia Siti Aisyah podem ser condenadas à pena de morte caso sejam consideradas culpadas do envenenamento de Kim Jong-nam no aeroporto de Kuala Lumpur no dia 13 de fevereiro de 2017.

O advogado da vietnamita, Hysiam Teh Pho Teik, e o advogado da indonésia, Gooi Soon Seng, insistiram durante a audiência na mesma história que vêm mantendo desde o início do julgamento, em outubro, de que suas clientes são inocentes e acreditavam que estavam gravando uma "pegadinha" para um programa de televisão.

"Pedimos ao juiz que liberte Doan, pois ela é completamente inocente", explicou Hysiam durante uma coletiva de imprensa posterior à audiência no Tribunal Superior de Shah Alam, localidade vizinha a Kuala Lumpur.

O advogado reiterou que a investigação foi irregular, que os quatro norte-coreanos que escaparam do país e que supostamente organizaram tudo deveriam ter sido detidos e estar presentes no julgamento.

"Sem a presença desses norte-coreanos aqui na corte, não se pode condenar nenhuma das duas mulheres", concluiu Hysiam.

Gooi, por sua vez, afirmou que a acusação não apresentou nenhuma prova de que Siti Aisyah teve qualquer tipo de contato físico com a vítima.

"Se ela não participou do ataque físico, como poderia ter participado do assassinato?", manifestou o advogado.

Após a argumentação oral de ambas as partes, o juiz Azmi Ariffin terá um mês para tomar uma decisão.

Se o magistrado decidir prosseguir com o caso, a defesa chamará suas testemunhas, o que poderia levar meses. No entanto, se decidir arquivar o caso, as mulheres serão liberadas.

As acusadas declararam no momento certo que são inocentes e que foram contratadas por um grupo de homens para gravar uma série de "pegadinhas" para um canal de televisão.

A polícia identificou quatro norte-coreanos, Ri Ji-hyon, Hong Song-hac, O Jong-gil e Ri Jae-nam, cujo paradeiro é desconhecido, como os organizadores do assassinato e que contrataram as acusadas, e os mesmos se apresentaram a elas com outros nomes e nacionalidades.

Kim Jong-nam morreu meia hora depois da ação no terminal de embarque de voos internacionais do aeroporto de Kuala Lumpur, quando pegaria um avião para Macau.

Doan Thi Huong e Siti Aisyah se aproximaram de Kim Jong-nam quando ele se encontrava no check-in para despachar suas bagagens, e esfregaram em seu rosto um líquido que, segundo elas, foi fornecido pelas pessoas que lhes contrataram e os mesmos lhes disseram que era inofensivo.

Especialistas do departamento químico da Malásia identificaram o veneno utilizado como o agente nervoso VX, um líquido oleoso incolor e sem cheiro considerado pelas Nações Unidas como uma arma de destruição em massa.

Kim Jong-nam, irmão por parte de pai de Kim Jong-un, era considerado o favorito para herdar a chefia do regime norte-coreano, mas caiu em desgraça em 2001 e viveu seus últimos anos no exílio.