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Mulheres sauditas já podem dirigir, mas ainda batalham por outros direitos

27/06/2018 10h01

Suleiman al Assad.

Riad, 27 jun (EFE).- Apesar de já poderem dirigir veículos nas vias do país, as mulheres da Arábia Saudita ainda convivem com muitas restrições e não gozam de todos os direitos como cidadãs do reino.

A mulher saudita ainda necessita da permissão de um tutor para trâmites como viajar para o exterior, enquanto vários trabalhos são vetados e também não é possível compartilhar o mesmo espaço com homens na maior parte dos locais públicos, como restaurantes.

Além disso, a mulher saudita não pode realizar os trâmites de um casamento sem a permissão de um tutor, ou "mehrem" - que pode ser o pai, irmão ou um filho, caso seja viúva -, mas tem o direito de se negar a casar com um homem caso se sinta obrigada.

Desde o ano passado foi permitido que as mulheres pudessem abrir contas bancárias e empresas sem pedir o beneplácito do tutor, assim como ir ao médico e se matricular em universidades, além de poder procurar emprego.

No entanto, as leis trabalhistas proíbem de forma expressa 24 tipos de emprego às mulheres, a maioria deles em ofícios duros como o trabalho em minas, escavações e oficinas.

Mas, na prática, as mulheres também são vetadas para posições importantes no governo, razão pela qual nenhuma saudita chegou a cargos como ministra ou embaixadora, apesar de desde 2015 terem sido permitidas a ocupar funções diplomáticas.

Nesse cenário, a taxa de desemprego entre as mulheres sauditas chega a 35%, enquanto no caso dos homens fica abaixo de 10%.

Desde 2011 o governo obriga que perfumarias e lojas que vendem produtos femininos contratem mulheres, o que serviu para criar 50 mil empregos femininos durante os últimos anos.

As mulheres também são menosprezadas em relação à Justiça e, em alguns casos, o testemunho de duas mulheres é equiparado ao de um homem.

Apesar da concessão de novos direitos, as autoridades ainda proíbem a mistura entre os sexos nos espaços públicos, com algumas contadas exceções, como algum evento cultural focado nas famílias.

Do mesmo modo, alguns ambientes de trabalho se transformaram em um espaço de encontro entre mulheres e homens, já que a segregação não é tão estrita como antes.

Nestes lugares comuns, assim como na rua, as mulheres devem seguir estritas normas de vestiário, que seguem cumprindo com todo rigor, embora nos últimos dois anos as autoridades tenham retirado da polícia religiosa o poder de prender as que violam estas normas.

Para elas é obrigatório o uso da "abaya", uma folgada túnica que cobre todo o corpo, enquanto o uso do véu não é imposto por lei, embora seja na prática por pressão social.

O novo direito que mais alegrou as mulheres é a permissão de dirigir, que entrou em vigor no último domingo.

"As pessoas têm sede de mudança", disse Jaidaa al Xerif, uma encarregada em um laboratório universitário, que acredita que a sociedade saudita está preparada para novas reformas.

Al Xerif assegura que a maioria das mulheres não se importa tanto em se manter sob a tutela do homem para questões como viajar ou se casar e ressalta que o que mais lhes preocupa é conseguir igualdade nas oportunidades trabalhistas.

"Acredito que este período é bom para melhorar a situação da mulher e não podemos deixá-lo passar", destacou Al Xerif.

Por sua vez, Lami al Suliman, jornalista em um jornal local, disse à Efe que as últimas reformas foram realizadas com rapidez e, embora não as considere suficientes, acredita que a mulher saudita deve ter paciência.

"O que nos consola é saber que a administração está empoderando a mulher (...) O que queremos é o mesmo que pedem as mulheres do mundo: poder exercer o papel que o homem exerce em todos os assuntos", resumiu a jornalista.