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Internacional

Começa cúpula para buscar soluções à crise política por imigração

28/06/2018 11h38

Bruxelas, 28 jun (EFE).- Os chefes de Estado e Governo da União Europeia (UE) iniciaram nesta quinta-feira uma cúpula europeia de dois dias onde tentarão buscar soluções para a crise política criada pela questão migratória e revisarão outros assuntos, como as negociações do "brexit" e a reforma do euro.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse à sua chegada à reunião que pedirá aos líderes centrar os esforços nas fronteiras exteriores da UE, incluindo o projeto de criar plataformas de desembarque para imigrantes fora do território do bloco.

"A alternativa a isto seria um avanço caótico para o fechamento das fronteiras, também dentro da UE, assim como conflitos crescentes entre Estados-membros da UE", advertiu Tusk.

A mudança de enfoque europeu foi avaliado por líderes como o chanceler austríaco Sebastian Kurz, que considerou "possível iniciar uma mudança de rumo na política migratória" e lembrou que seu país está há anos pedindo "uma mudança do sistema para que se reduza o número de pessoas que chegam ilegalmente à Europa".

A chanceler alemã, Angela Merkel, se mostrou disposta a buscar fórmulas que permitam que "embarcações com refugiados se dirijam a países fora da UE", mas advertiu que para isso é preciso chegar a acordos com os países envolvidos.

Também lembrou a importância que para seu país tem evitar os chamados "movimentos secundários", em referência ao trânsito de refugiados de um país europeu para outro, e disse que neste ponto há dois princípios-chaves.

"Por um lado, é necessário apoiar os países que recebem um grande número de imigrantes, mas ao mesmo tempo é preciso manter o princípio que um refugiado não pode escolher arbitrariamente o país em que pede asilo".

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, ressaltou que o seu país espera passar das mostras de solidariedade dos seus parceiros da União Europeia (UE) a "fatos concretos" e não descartou o veto a um acordo insatisfatório.

"A Itália não precisa de declarações verbais, mas fatos concretos. Esta é a ocasião adequada (...) No que me diz respeito, estou disposto a tirar todas as consequências devidas", disse Conte em sua chegada à cúpula.

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que defenderá as soluções "europeias de cooperação frente as nacionais em matéria migratória", e acredita que a reunião permita "avanços".

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, se referiu à carga suportada por países como Espanha e Itália, insistindo na necessidade de "matar o modelo de negócio" dos traficantes e tentar chegar a acordos como o da Turquia em matéria migratória com países do norte da África.

O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, insistiu por sua vez em que envolver outros países na gestão da imigração não pode ser feito sem a Agência da ONU para os Refugiados (Acnur) ou sem a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

No primeiro dia da cúpula os líderes europeus abordarão os avanços nas políticas de segurança e defesa, debaterão a situação do comércio global e terão um jantar onde a conversa vai girar em torno do tema mais espinhoso: a gestão dos fluxos migratórios.

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