Em eleição histórica, México pode ter mudança de poder político

Isabel Reviejo.

Cidade do México, 28 jun (EFE).- Os mexicanos irão às urnas no próximo domingo para uma eleição histórica pelo grande número de cargos em disputa, como o de presidente, e podem promover uma mudança política significativa, afastando do poder os dois partidos que dirigiram o país até hoje: o PRI e o PAN.

Andrés Manuel López Obrador, Ricardo Anaya, José Antonio Meade e Jaime Rodríguez Calderón são os quatro candidatos que tentam ocupar a cadeira presidencial da residência de Los Pinos após uma acirrada campanha que quase não teve variações nas pesquisas de intenção de voto. De acordo com todos os levantamentos, o amplo favorito é López Obrador, líder do Movimento Regeneração Nacional (Morena) e que pode personificar o ditado "os últimos serão os primeiros".

Candidato do Partido da Revolução Democrática (PRD) nas eleições de 2006 e 2012, López Obrador cultivou muita simpatia entre a população neste período, de acordo com o professor Gustavo Arturo, da Escola de Ciências Sociais e Governo do Instituto Tecnológico e de Estudos Superiores de Monterrey.

Embora, aparentemente, este triunfo possa ser a primeira guinada à esquerda do governo mexicano, o acadêmico lembrou que ainda não é possível saber até que ponto o Morena fará diferente dos antecessores, já que o movimento é um conjunto de "muitos grupos com perspectivas distintas".

A isto se somam as divergências que ele poderia ter com parceiros com os quais compartilha a aliança denominada "Juntos faremos história". Um deles, por exemplo, é o evangélico Partido Encontro Social, que defende um caminho mais conservador para temas como o casamento gay e o aborto.

"Haveria um choque de perspectivas entre o Morena e seus aliados. É um risco que ele pode correr", afirmou o professor.

Ainda de acordo com ele, o presidente tem poderes "limitados", e isso poderia dificultar o trabalho de Lopez e de atingir algumas das suas metas - como anular a reforma da Educação - se não tiver apoio no Congresso.

"Não existem condições para que aconteça uma mudança profunda", refletiu o professor.

Outro aspecto que há alguns anos poderia ser considerado incomum é a aliança entre históricas legendas de direita e esquerda, respectivamente o Partido Ação Nacional (PAN) e o Partido da Revolução Democrática (PRD), este último em franco declínio desde a saída de López Obrador. Ambos formaram alianças em eleições anteriores, mas é a primeira vez que o fazem em uma disputa à presidência - neste caso, com Anaya como candidato.

Esta eleição também é a primeira com um candidato independente, Jaime Rodríguez Calderón, que participa da disputa sem uma legenda por trás, graças à reforma eleitoral de 2014.

Mas se há um ponto que pode ser transcendental é a eventual grande derrota do PRI, que ficou no poder ininterruptamente de 1929 a 2000, ano em que o PAN ganhou as eleições para presidente. Depois de 12 anos, ele retornou ao governo com Enrique Peña Nieto, em 2012.

As pesquisas apontam um panorama nada favorável para José Antonio Meade, que aparece em terceiro lugar, mas muito longe de López Obrador e Anaya. O partido governista está diante de "uma das maiores ameaças" da sua história, pela possibilidade de perder o poder em vários estados, prefeituras e no Congresso, de acordo com o analista político e jornalista Mario Campos.

A eleição de 1º de julho, além disso, será a maior que o país já teve até hoje, em parte devido ao fato de o Instituto Nacional Eleitoral (INE) obrigar os estados a alinharem suas eleições com as federais. O orçamento para o pleito, de US$ 1,2 bilhão, é o maior já solicitado pelo órgão eleitoral - que agora tem mais atribuições - para a organização e o financiamento dos partidos políticos registrados.

Aproximadamente 89 milhões de pessoas estão habilitadas a votar neste domingo. Desse total, 12,8 milhões têm entre 18 e 23 anos e votarão pela primeira vez.

Receba notícias do UOL. É grátis!

UOL Newsletter

Para começar e terminar o dia bem informado.

Quero Receber

UOL Cursos Online

Todos os cursos